RESENHA: Casos de Família
16 abr

RESENHA: Casos de Família

Resenhas, Serial Killers

Julia Giarola

Título: Casos de Família – Arquivos Richthofen e Arquivos Nardoni
Autora: 
Ilana Casoy
Editora:
DarkSide Books
Gênero:
Crime 
Número de Páginas:
560
SKOOB

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Sinopse: O assassinato do casal Richthofen e de Isabella Nardoni foram reunidos em um só livro e trazem novos detalhes observados por quem estava nos bastidores. A criminóloga Ilana Casoy, em CASOS DE FAMÍLIA: ARQUIVOS RICHTHOFEN E ARQUIVOS NARDONI, abre pela primeira vez seus cadernos de anotações utilizados durante a pesquisa na Polícia Civil, Científica e Ministério Público dos dois crimes, tudo isso com a qualidade quase psicopata de edição, uma marca registrada de todos os títulos da DarkSide® Books.

A pedido da editora, Ilana Casoy mergulhou em suas anotações particulares que está de volta com mais uma luxuosa reedição de suas obras, incluindo os inéditos fac-símiles de seus cadernos secretos. Primeira autora nacional da DarkSide®, Ilana traz para seus leitores o mistério desvendado de comentários originais dela mesma no desenrolar dos acontecimentos e descobertas. Além de acompanhar passo a passo o rumo das investigações e julgamento dos assassinos que romperam a linha da lei e do sagrado, os sentimentos e dúvidas da autora ficam agora expostos ao público.

Em “Arquivos Richthofen” o leitor vai acompanhar o comportamento dos três assassinos — as contradições e os erros decisivos; a distância de Suzane ao relatar os fatos, o descontrole de seu namorado Daniel na reprodução simulada do crime, os depoimentos e técnicas de investigação da polícia, dos médicos legistas, peritos e especialistas, que não deixaram outra alternativa aos culpados que confessar os assassinatos brutais. A grande novidade fica por conta da transcrição inédita do emblemático debate entre acusação e defesa, com o objetivo de oferecer os detalhes do julgamento nunca publicados.

Em “Arquivos Nardoni” o mergulho é em um dos casos criminais mais polêmicos já ocorridos no Brasil, que contou com um qualificado trabalho da polícia técnico-científica — única “testemunha” do crime. Ilana reconstrói os cinco dias do julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella de Oliveira Nardoni, condenados pelo assassinato dela. A autora foi colaboradora do Ministério Público, que, com a ausência da confissão dos réus, trabalhou com provas periciais irrefutáveis para confrontar a versão do casal no tribunal do júri.

A mídia tem um padrão de sempre cobrir assassinatos que residem com as pessoas. Dando maior destaque para aqueles que surpreendem sua audiência, os jornais tentam oferecer uma narrativa chocante e “cativante” – para dizer o mínimo – sobre aparências; narrativas que podem ser aplicadas na noção que ninguém sabe o que se passa dentro de uma casa bonita em uma boa vizinhança. Essa perspectiva sobre crimes reais é um dos temas explorados nessa edição dupla de Casos de Família, de Ilana Casoy, lançada pela DarkSide Books.

A verdade por trás do modelo perfeito do subúrbio introduz o primeiro caso, os ARQUIVOS RICHTHOFEN. Explorando uma noção da família perfeita, Ilana Casoy tenta estabelecer duas visões sobre os acontecimentos: o primeiro como um observador, julgando as aparências de um crime violento impostos sobre membros da alta sociedade; a outra é com um olhar mais profundo e íntimo dentro das dinâmicas da família, onde é explorado a complexidade de todo e qualquer relacionamento familiar.

No segundo caso, os ARQUIVOS NARDONIIlana Casoy apresenta um tema similar, porém, dando ênfase na mídia como um ponto de partida. Por que alguns casos são noticiados com tanto fervor pelos jornais, mesmo que crimes familiares sejam tão comuns? Esta perspectiva pode ser aderida diretamente com o conceito compartilhado pelos dois casos, esses que são detalhados de maneiras diferentes, cada um da melhor forma que o caso em si exige.

“Por que a mídia ‘elege’ alguns crimes para explorar, enquanto outros, com as mesmas características, são esquecidos?” – Página 285

Enquanto acompanhamos com detalhes o desenrolar das investigações sobre o caso RICHTHOFEN, entrando em processos especificados de perícia e depoimentos, o caso NARDONI apresenta um destaque maior no próprio tribunal do casal. Seguindo explicações dentro dos processos da polícia, Casos de Família é um livro muito informativo, introduzindo um leitor provavelmente leigo dentro de um mundo criminal. Isso tudo é muito bem estruturado, introduzindo informações a medida em que são necessárias para o entendimento.

Oferecendo uma perspectiva sob os crimes, Ilana Casoy encontrou uma maneira de introduzir os relatos de forma poética, antes de entrar com os detalhes do processo criminal. O contexto por trás dos assassinatos é bem explorado pela autora que parece ter um bom conhecimento sobre ambos os crimes. Isso é importante quando se trata de um texto opinativo que, mesmo que tenha que seguir os acontecimentos e procedimentos como realmente ocorreram, apresentam um olhar único sobre os acusados e as vítimas.

“As culturas dos países são diversificadas, os valores éticos e morais também, mas a inatingibilidade de pai e mãe é universal. Não existe lugar no mundo em que eles não sejam sagrados.” – Página 18

A descrições gráficas e os procedimentos de perícia em cenas de crime podem estabelecer um nicho específico para o livro. Porém, o desenvolvimento e evolução do caso passo a passo irá atrair os leitores que tiverem interessados não apenas em saber mais sobre os casos, mas também aprender detalhes de cada etapa das investigações. As diferentes visões das testemunhas a respeito da família no caso RICHTHOFEN, além de se encaixar bem ao tema geral desta edição dupla da DarkSide Books, também serve como um ponto de explicação de como os suspeitos se tornaram os principais feitores do crime.

“As fotografias eram impressionantes. Sempre é difícil ver pessoas cujas vidas foram ceifadas em um instante cruel. Elas estão ali, frágeis, desnudas, sem proteção, como um invólucro da vida que ocupava, momentos antes, aquele corpo.” – Página 29

Uma preocupação durante a leitura é da própria existência do livro como um produto da fascinação mórbida das pessoas, a necessidade de olhar para a vida privada dos outros de longe, mas perto o suficiente para criar ideias e julgamentos que se transformam em fatos irrefutáveis. Este livro pode muito bem representar essa sociedade fascinada por violência, que lê casos reais como entretenimento. É necessário ter uma visão mais objetiva deste livro, como algo informativo dos casos, algo que realmente existe; pessoas que realmente morreram, depositando um nível certo de respeito durante toda a leitura, afim de aproveitar esta incrível edição de capa dura, com ilustrações e excelente diagramação, sem comprometer uma integridade moral.

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