RESENHA: Aos Dezessete Anos
03 set

RESENHA: Aos Dezessete Anos

Resenhas

Victor Tadeu

Título: Aos Dezessete Anos
Autora: Ava Delleira
Editora: Seguinte
Gênero: Ficção
Número de páginas: 448
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Sinopse: Em seu novo romance arrebatador, a autora de Cartas de amor aos mortos apresenta uma mãe e uma filha que precisam compreender o passado para poder seguir em frente.

Quando tinha dezessete anos, Marilyn viveu um amor intenso, mas acabou seguindo seu próprio caminho e criando uma filha sozinha. Angie, por sua vez, é mestiça e sempre quis saber mais sobre a família do pai e sua ascendência negra, mas tudo o que sua mãe contou foi que ele morreu num acidente de carro antes de ela nascer.
Quando Angie descobre indícios de que seu pai pode estar vivo, ela viaja para Los Angeles atrás de seu paradeiro, acompanhada de seu ex-namorado, Sam. Em sua busca, Angie vai descobrir mais sobre sua mãe, sobre o que aconteceu com seu pai e, principalmente, sobre si mesma.

Angie é uma garota de dezessete anos que sempre quis saber mais sobre suas origens, principalmente, sobre seu pai negro. Porém, sua mãe, Marilyn, nunca fala sobre o passado, e muito menos sobre o homem, que, segundo ela, morreu em um acidente de carro, junto com o irmão.

Um dia, Angie encontra algumas informações que a levam a crer que o tio está vivo, e que talvez seu pai também esteja. Então, a menina decide partir em busca do tio, na companhia do ex-namorado, Sam.

É quando somos transportados para o passado, quando Marilyn tinha dezessete anos e conheceu JamesMarilyn era uma jovem modelo, praticamente explorada pela mãe, Sylvie, mas que, há muito tempo, não conseguia nenhum trabalho. Após a morte do pai, ela e a mãe se viram obrigadas a se mudar para a casa do tio de Marilyn, um homem que trabalhava com jogos e vivia bêbado.

O livro, então, passa a intercalar entre passado e presente, enquanto somos levados a descobrir, junto com Angie, o que aconteceu dezessete anos antes, e fez a vida de todos mudar.

Aos Dezessete Anos é o segundo livro de Ava Dellaira publicado no Brasil pelo Grupo Companhia das Letras. Ava também é autora de Cartas de Aamor aos Mortos e acerta ao abordar o relacionamento entre mãe e filha e suas nuances, tanto com Angie e Marilyn, quanto com Marilyn e Sylvie, com sensibilidade.

Sensível também é a abordagem das primeiras experiências emocionais e sexuais das personagens. É muito interessante ver essas questões sendo abordadas de maneira tão real, mas sem ser explícito. A narração dessas descobertas e autodescobertas adolescentes, como o despertar de paixões, dúvidas, amores e questionamentos sobre o futuro é um ponto alto da história.

Outro ponto importante é o fato de um livro destinado a um público mais jovem levantar questões importantes que devem ser conhecidas e discutidas desde cedo. A questão racial é discutida de maneira quase que sutil, colocada em doses contadas, mas que trazem pontos muito fortes para a história. É muito bom ler uma protagonista negra sendo retratada com tanta sensibilidade.

A narração e as mudanças de ponto de vista podem ser um pouco confusas no começo, mas, com o tempo, é possível se acostumar com a maneira de escrever da autora. Um destaque especial para os personagens cativantes, principalmente, os do arco de Marilyn; para as músicas citadas no livro; e para a questão da percepção e do olhar fotográfico retratado no livro.

Aos Dezessete Anos é, ainda, uma reflexão sobre o existir, sobre a importância e a relevância de todos os seres humanos; a pequenez perante o universo. É um livro sobre perdas e recomeços. A indicação fica feita para jovens e mães que gostam de fazer leitura de livros, também pode ser uma boa oportunidade para leitura conjunta entre mãe e filho.

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