RESENHA: A Última Mensagem de Hiroshima
09 jun

RESENHA: A Última Mensagem de Hiroshima

Resenhas

Victor Tadeu

Título: A Última Mensagem de Hiroshima
Autor: Takashi Morita
Editora: Universo dos Livros
Gênero: Não-ficção
Número de páginas: 152
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Sinopse: Como sobreviver com a mente cheia de memórias da Segunda Guerra Mundial? Como lidar com o trauma de ter presenciado a destruição arrebatadora de uma bomba atômica praticamente ao seu lado? E como pensar em salvar civis quando sua própria vida está em jogo? Conheça neste livro a história do Sr. Takashi Morita, sobrevivente da bomba atômica que dizimou milhares de seres humanos e que até hoje manifesta efeitos na saúde física e mental da população de Hiroshima e de Nagasaki.
Era 6 de agosto de 1945. Ninguém poderia prever, mas foi neste dia que a vida de inúmeros japoneses – e das gerações subsequentes – mudaria para sempre. As consequências da bomba atômica foram devastadoras, e não apenas no que diz respeito à saúde daqueles que se encontravam nas imediações do epicentro, como é o caso do Sr. Takashi, que exercia o ofício de soldado na época. Para além das numerosas enfermidades oriundas da intensa radiação emitida em Hiroshima e Nagasaki, os atingidos pelas bombas sofreram muita discriminação, principalmente pelo fato de as consequências decorrentes da radiação para os sobreviventes e seus descendentes serem ainda uma incógnita.
Após sofrer situações tão devastadoras como as que o Sr. Takashi viveu, muitos de nós provavelmente sucumbiríamos ao rancor. A sabedoria, no entanto, com a qual ele enfrentou suas memórias mais sombrias é inspiradora. Quando questionado a respeito de suas mágoas com relação aos norte-americanos, responsáveis pelo envio da bomba atômica a Hiroshima, o veterano responde: “Estavam apenas fazendo o seu trabalho.”
O perdão, a compreensão, a empatia e todos os laços e fortalezas construídos em detrimento de um passado que é impossível de esquecer são lições que o Sr. Takashi, agora um comerciante de 92 anos que vive no Brasil, visa nos ensinar neste emocionante relato.

 

Tudo começou por causa do Tratado de Versalhes, ninguém imaginava que a divisão de dois blocos Eixo (Itália, Alemanha e Japão) e Aliados (EUA, URSS, França e Inglaterra) resultaria com a arma mais potente que o homem criou, sim, estamos falando da bomba atômica, a bomba que tirou a vida de inúmeras pessoas que infelizmente não tinham se quer nenhum envolvimento.

Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1 de Setembro de 1939 e terrivelmente finalizada em 2 de Setembro 1945, as consequências foram várias, como a criação da ONU, o início da Guerra Fria e a própria finalização. Itália e Alemanha já haviam se rendido, mas quem realmente sofreu por todos aqueles que idealizaram essa guerra, foram os japoneses, para ser mais específicos os moradores de Hiroshima e Nagasaki.

A Segunda Guerra Mundial só acabou após os Estados Unidos decidir eliminar a vida de várias pessoas para assustar o Japão. A primeira desumanidade foi em Hiroshima e após alguns duas Nagasaki sofreu na pele a mesma dor, ambas cidades foram atacadas com bomba atômica — a arma mais poderosa inventada pelo homem. Infelizmente ou Felizmente Takashi Morita estava muito perto de epicentro em que ela foi lançada e conseguiu sobreviver para nos contar tudo o que vivenciou durante aquele momento angustiante.

Em A Última Mensagem de Hiroshima, iremos conhecera vida de Takashi Morita, um japonês que estava muito próximo do caos enquanto desempenhava o seu trabalho. O livro foi publicado pela Universo dos Livros e contém algumas informações que foram necessárias para ampliar o meu estudo em relação ao assunto.

Vocês já devem saber que gosto muito de histórias que envolvem passados históricos, principalmente o Holocausto, Ditadura e afins, mas a Segunda Guerra Mundial não fica de fora dessa listinha e quando soube dessa obra me interessei de imediato, principalmente pelo fato de baseada em fatos reais e não ser uma ficção. A obra contém informações valiosas que foram muito eficaz para melhorar a minha visão do que houve da guerra, do momento em que a bomba foi lançada e como foi o resultado de toda essa violência que poderia muito bem ser resolvida de forma pacífica.

Confesso que o meu estudo sobre o assunto é muito raso, mas fiquei surpreso com vários pontos que o autor citou durante a escrita do livro. Eu nunca imaginei que existiam pessoas que pilotavam aviões com explosivos, cuja intenção era se suicidar para suceder a missão. Também nunca passou pela minha cabeça que os descendentes que japoneses ficaram afastados nos Estados Unidos, muito semelhante como os judeus no Holocausto.

CURIOSIDADE: o brinquedo Kamikaze de parques de diversões cuja a função é devagar completar vários loops, foi criado em 1930 e a origem do nome é a mesma dos kamikazes de guerras. Os movimentos e o formato do brinquedo simula a queda de um avião-suicida, além disso, os corajosos são os guerreiros que “doam” a sua vida para salvar a pátria.

“Logo que chegamos à região dos bombardeiros, sentimos o caos que tomava conta da cidade… Além dos feridos, havia mortos por toda parte. Tóquio parecia um cemitério a céu aberto. (página 47)”

Minha surpresa maior foi quando Takashi Morita começa a narrar a precaridade em que Japão estava antes da guerra — eu tinha isso em mente —, a forma que eles lutavam severamente para manter tudo sob controle e, além disso, levar o lema oficial da sua vida — socialmente e culturalmente ensinados — até para uma guerra, é tristemente assustador. Teve várias partes antes da bomba ser lançada que eu fiquei muito chateado em saber que a dor deles já tinham iniciado, mal eles sabiam que o maior sofrimento de todos estava muito próximo de chegar.

Quando a bomba atômica é lançada em Hiroshima, o autor estava bem próximo do local e conseguiu visualizar todo o desastre sem saber o que realmente estava acontecendo. Ele também foi atingido no pescoço, tudo que ele sentia era uma queimação e se não fosse a sua farda possivelmente estaria morto, porque ele crer que o seu uniforme de militar que o safou dessa terrível morte. Takashi Morita podia muito bem correr da área e deixar todos morrerem, mas a situação estava tão assustadora que ele voltou ao epicentro para ajudar todos aqueles que ainda almejavam e ansiavam para ter mais um minuto de vida — ou não.

No livro é narrado as cenas sem censura, os prédios foram totalmente distorcidos como se fossem papelões, as pessoas corriam atrás de água gritando socorro e suas peles começavam a dissolver, assim despregando do seu corpo. A primeira pessoa que ele vê dessa forma, se assusta, pois não conseguiu entender o que estava correndo em sua direção, até que ela cai perto de seus pés e ele entende que era uma pessoa em chamas. No livro o autor conta mais situações que vivenciou durante esse grito de socorro, mas não vou citar na resenha, se não acaba diminuindo a curiosidade de vocês.

“Esse foi o pior dia da minha vida e, ainda assim, nunca consegui apagá-lo da memória. Mesmo depois de mais de setenta anos, posso revivê-lo detalhadamente, como todo o horror que presenciei. (página 65)”

A história de Morita é muito exemplar, mesmo ele tendo que passar por diversos momentos que assombraram sua mente, que danificaram a sua saúde e que quase lhe arrancou a vida, aos 93 anos ele permanece de pé no Brasil mostrando para todos que não deixou uma guerra e seus vestígios acabarem com seus sonhos. Ele é foi uma das poucas pessoas que tiveram a sorte de não ter atacado pelo ódio humano, infelizmente ou felizmente, Takashi Morita tem uma triste história de superação e heroísmo.

A capa do livro condiz com a história, e podemos perceber isso nitidamente quando vemos uma bomba atacando uma cidade. A fonte que foi usada para escrever o título me agradou muito, pois relata muito mensagens de apelo em muros — como pichações — e a letra “o” de Hiroshima representa a bandeira do Japão, mas na capa parece ser pinchada de sangue, assim demonstrando o luto do país e que ele também foi eternamente manchado pelo sangue dos seus. As cores usadas para a capa em si também colabora muito para esse aspecto de tristeza.

A diagramação do livro está impecável, a Universo dos Livros usou a mesma fonte, mas durante a leitura o leitor encontra algumas frases nas laterais das páginas, elas são frases de destaques que encontramos nos parágrafos e nos ajudam a frisar aquela informação. Quase no final do livro têm algumas páginas com fotos e legendas informativas de Takashi Morita e todas as pessoas que tem um pouco de influência no livro, essa parte que têm as fotos parecem ser folha de jornal, assim dando uma incrementada muito boa na obra.

Como o livro aborda guerra, o vocabulário é bem restrito ao assunto, mas podem ficar tranquilos que o autor escreveu de uma forma sútil para ajudar todos terem uma leitura fluída e muito “prazerosa” conforme for passando as páginas. Eu li o livro em questão de horas, mas têm pessoas que não conseguem seguir adiante com muita rapidez por causa do cenário que é tratado. É muito triste você ler e ser obrigado a imaginar o estado das pessoas naquele momento, tenha uma experiência rápida agora mesmo: tente imaginar mulheres grávidas dando a luz devido ao susto da bomba, agora imagina todos esses bebês morrendo pela precaridade de saúde e a ausência de médicos em Hiroshima? São situações semelhantes a essa que nos atacam em cheio, nos alertando que guerra não serve para nada, apenas para matar, destruir e levar o título de assassino.

O livro tem um publico foco que o autor mesmo disse, mas ele não está indisponível para todos aqueles que têm interesse em saber mais do que aconteceu durante o ataque em Hiroshima. Por isso, eu indico A Última Mensagem de Hiroshima, de Takashi Morita para todos vocês que gostam de ampliar suas visões do que houve, mas indico em especial para aqueles que acham que guerra e violência é a forma mais fácil de resolver os problemas sociais.

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