Okja
01 jul

Okja

Filmes

Julia Giarola

Filme: Okja
Título original: Okja
Data de lançamento: 28 de junho de 2017
Duração: 1h 58min
Direção: Joon-Ho Bong
Gênero: Drama, Aventura, Ficção científica
Nacionalidade: Coréia Do Sul, EUA

Sinopse: Nova York, 2007. Lucy Mirando, a CEO de uma poderosa empresa, apresenta ao mundo que uma nova espécie animal foi descoberta no Chile. Apelidada de “super porco”, ela é cuidada em laboratório e tem 26 animais enviados para países distintos, de forma que cada fazenda que o receba possa apresentá-lo à sua própria cultura local. A ideia é que os animais permaneçam espalhados ao redor do planeta por 10 anos, sendo que após este período participarão de um concurso que escolherá o melhor super porco. Uma década depois, a jovem Mija convive desde a infância com Okja, o super porco fêmea criado pelo avô. Prestes a perdê-la devido à proximidade do concurso, Mija decide lutar para ficar ao lado dela, custe o que custar.

Sem dúvida nenhuma estamos vivendo na era do marketing, este que é tão crucial na promoção do capitalismo como uma nova religião. Mas com o sucesso deste em manipular um enorme público, era inevitável que outras áreas também entrassem nesta onda e começassem a utilizar esse marketing como uma ferramenta de promoção de conteúdo e ideais. Hoje podemos ver áreas acadêmicas e de pesquisas se apoiando totalmente nesta promoção para espalhar ideias. Okja consegue mostrar isso brilhantemente por duas perspectivas: a do lado empreendedor e a do público afetado.

O filme começa promovendo essa ideia o que cativa a audiência logo no começo. A apresentação épica da sinopse do filme na introdução com efeitos visuais e edição sagaz, estabelece perfeitamente o clima do filme deixando todos os olhos grudados na tela utilizando os próprios truques do marketing. A magia da edição, das imagens interativas, falas e incrível atuação, “vendem” o filme e sua ideia rapidamente demostrando o poder da propaganda em qualquer projeto. O estilo único no qual o filme é exibido combina com a história que sabe fazer uma relação interessante entre o real e o absurdo. A introdução realmente nos faz emergir no universo no qual o enredo se passará.

A fotografia ajuda a estabelecer o estilo surrealista criando logo um contraste com a realidade representada na Coreia do Sul. Okja inteligentemente troca as sensações dos dois lados da história, sendo mais realista quando se passa acompanhando Mija (Seo-Hyun Ahn) e Okja, um animal surreal e que não existe, e explorando um ar surreal ao representar o lado corporativo dos EUA, que nós sabemos ser tão real. Essa discrepância entre os países e a maneira como são representados com certeza foi uma jogada de mestre ironizando a própria criação do absurdo quando se trata da propaganda e a agenda empresarial.

O elenco é perfeito. Tilda Swinton, que interpreta Lucy Mirando, mais uma vez faz o excêntrico extremamente interessante, deixando difícil olhar para outra coisa quando ela está na tela. Sua atuação é carismática o suficiente para criar uma personagem complexa por servir como antagonista. Jake Gyllenhaal se prova mais uma vez como um maravilhoso ator caricato que traz um entusiasmo e contraste à seu personagem, nos fazendo imaginar o quão intrigante seria como um possível coringa da DC (realmente deixa Jared Leto no chinelo). Paul Dano, como sempre faz um ótimo trabalho, assim como todo o resto do elenco. Seo-Hyun Ahn consegue se destacar entre tantos veteranos, ajudando a estabelecer o link emocional da história.

Os aspectos técnicos do filme são sólidos, mas o que realmente se destaca é a trilha sonora que ajuda reforçar o estilo único de filme, esta que é tão imprevisível, porém ainda tão perfeita para a trajetória emocional da história, lembrando muito a peculiaridade que Wes Anderson expõe em seus filmes. Sua influência no cinema moderno vem se mostrando cada vez mais valiosa.

O filme perde um pouco de seu charme técnico quando acompanha a história de Mija e Okja, mas em seu lugar adiciona algo com um pouco mais de substância em relação a história em si, nos fazendo nos apegar ao relacionamento entre a menina e seu animal. Esta é a essência do filme que anda em uma corda bamba entre o técnico e o emocional.

A Netflix com certeza tomou uma decisão corajosa ao liberar o filme diretamente em sua plataforma. Por esse motivo, algumas cenas não prendem completamente nossa atenção, permitindo-nos entregar as distrações do conforto de nossa casa. Por mais que este seja o diferencial do serviço streaming, o longa perde um pouco da magia de ir ao cinema e compartilhar uma experiência com o resto do público.

O filme realmente consegue chamar a atenção para uma assunto delicado que estamos lidando a algum tempo. Não só isso, mas também consegue desenvolver as emoções corretas para transmitir uma mensagem importante para um público que com certeza faz parte deste problema. O filme não tem medo de mostrar cenas fortes para promover sua mensagem, o que o faz ambicioso. Este com certeza é um filme ambicioso!

Nossa nota é:

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