CRÍTICA – Mulher-Maravilha
07 jun

CRÍTICA – Mulher-Maravilha

Filmes

Julia Giarola

Filme: Mulher-Maravilha
Título original: Wonder Woman
Data de lançamento: 01 de junho de 2017
Duração: 2h 21min
Direção: Patty Jenkins
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

O universo cinematográfico da DC Comics vem construindo uma péssima reputação não só com o público, mas até mesmo com os fãs mais dedicados. A constante comparação com a Marvel e os filmes mal recebidos pela crítica como Batman vs Superman (2016) e Esquadrão Suicida (2016) prejudicam cada vez mais as chances de uma possível volta por cima. Este filme porém pode ser o ponto de virada para a marca. A nova abertura veio para mostrar isso. Uma nova vinheta para uma nova da DC.

Mulher-Maravilha não é apenas o primeiro filme de uma super-heroína, mas também é o pioneiro para o verdadeiro empoderamento feminino. O desenvolvimento da protagonista consegue estabelecer a personagem como uma guerreira poderosa e também uma mulher complexa. A apresentação de Diana (Gal Gadot) como uma heroína de princípios e similarmente com defeitos como a ingenuidade, elevam o filme além de seus deveres. Esse aspecto da história ajuda a estipular a humanidade presente na Mulher-Maravilha, a deixando emocionalmente mais perto das pessoas que protege. O longa demonstra para o público e os estúdios que mulheres além de poderem protagonizar filmes também conseguem dirigi-los, estes que são tão receosos quanto a isso. Patty Jenkis estabelece seu ritmo e realiza, mais uma vez, uma direção concreta e coerente. O longa com certeza é uma vitória para as mulheres, para o feminismo e… para a DC.

O filme flui bem graças a excelente representação da evolução da personagem desde sua infância, introduzindo à história sua progressão visualmente através de sequências de treinamento e diálogos. A auto-descoberta do próprio poder que é mencionada no filme tem seu valor durante toda a trama, auxiliando o amadurecimento da personagem. A importância do modelo feminino na vida de Diana é lidada com sutileza. Personagens como Antiope, a tia e treinadora de Diana, se destacam como personagens fortes durante o inicio do filme, enquanto a protagonista ainda esta se desenvolvendo. Robin Wright (Antiope) estabelece sua presença forte durante suas cenas e realça mesmo em pouco tempo de tela. Ela é o evento principal da primeira grande cena de luta e não deixa nada a desejar.

As batalhas e cenas de luta são simplesmente épicas, algumas chegando a lembrar o filme de 2006, 300, dirigido por Zack Snyder, mas acrescentando ainda mais investimento emocional. Isto é um mérito do próprio roteiro que nos fazem desenvolver tanto apego aos personagens em pouco tempo. O filme sabe distribuir suas sequências de ação, sendo colocadas estrategicamente durante a trama. Essa “técnica” com certeza eleva a qualidade das lutas que, por esse motivo, parecem muito mais merecidas.

O enredo sofisticado do filme consegue estabelecer um estilo próprio ao se ambientar em um clima de guerra que não é deixada de lado. Pelo contrário, a guerra é extremamente importante para todo o desenrolar do filme por motivos óbvios e sutis. Steve Trevor (Chris Pine) acrescenta o gênero espionagem na trama, sendo muito bem recebido. Muitos elementos do roteiro são construídos e explorados posteriormente no filme, oferecendo uma satisfação, inconsciente ou não, para a audiência que consegue relacionar os acontecimentos.

Gal Gadot é, com certeza, o destaque do filme. A atriz rouba as cenas com suas sequências de luta, sua ótima atuação dramática e seu surpreendente talento cômico. Os momentos mais engraçados do filme partem da atriz que também soube representar bem as emoções mais fortes deixando o longa ainda mais poderoso. O alívio cômico, porém não é óbvio e bobo. Na verdade muitas piadas são para maiores, mostrando que o filme também é bem ousado.

A boa dinâmica entre Diana e Steve ajuda o filme a balancear seus momentos, representando uma excepcional parceria entre a dupla. Os personagens coadjuvantes têm pouco tempo de tela em relação aos protagonistas, mas com certeza estão ali por um motivo, preparando o ambiente humano necessário para a transformação da personagem. As interações entre os personagens são divertidas e engraçadas graças aos excelentes diálogos que muitas vezes apresentam comentários interessantes sobre normas sociais que estão sendo apresentadas para a protagonista como, por exemplo, o casamento. Isto é mais um mérito do roteiro impecável que consegue mimicar e homenagear os grandes clássicos como Superman (1978), Homem-Aranha (2002), Indiana Jones (1981), e até Casablanca (1942) e Encontros e Desencontros (2003).

Sem dar nenhum spoiler, o final do filme apresenta uma metáfora interessante em relação a Dr. Poison, desenvolvida a partir de sua máscara mostrando a Diana sua humanidade. O momento é sutil, porém valioso para a conclusão da história, ajudando a estabelecer bem claramente o estado emocional da protagonista.

Quanto aos aspectos técnicos, assim como o roteiro e a direção, estão impecáveis. O ótimo uso do tema principal durante momentos-chave é de arrepiar. Toda a trilha sonora é coerente com o clima emocional de cada acontecimento, ajudando ainda mais no investimento do público na própria história. Os efeitos especias também são bem executados durante o filme o que adiciona um outro nível de “realidade” da trama.

Desde Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) não vemos bons vilões em filme de super-heróis. Mulher-Maravilha sofre do mesmo problema com seus vilões mal desenvolvidos, mesmo tendo tempo de tela suficiente. Algo que também faria o filme ficar melhor e mais autêntico é se os alemães falassem alemão entre si. Mas este é claramente o egocentrismo dos americanos derramado sobre Hollywood. Apesar disso o filme é praticamente perfeito. Os pequenos defeitos como não atrapalham a experiencia.

Este, com certeza, é uma filme que deve ser visto no cinema graças as cenas épicas e excelente trilha sonora. Mulher-Maravilha é definitivamente um evento que deixará seu marco. A Marvel deveria se preocupar porque a DC parece que finalmente encontrou sua fórmula secreta.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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