Em Ritmo de Fuga
21 jul

Em Ritmo de Fuga

Filmes

Julia Giarola


Filme:
Em Ritmo de Fuga
Título original: Baby Driver
Data de lançamento: 27 de julho de 2017
Duração: 1h 53min
Direção: Edgar Wright
Gênero: Ação, Policial
Nacionalidade: EUA, Reino Unido

Sinopse: O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: ele precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Mesmo assim, o rapaz revela-se uma motorista excelente, e começa a trabalhar para uma gangue de criminosos. Quando um assalto a banco não sai como planejado, ele cai na estrada em fuga.

Edgar Wright é responsável por algumas das melhores comédias do último século como sua Todo Mundo Quase Morto (2004), Chumbo Grosso (2007) e Heróis da Ressaca (2013) e Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010). O diretor sempre acrescenta um diferencial em seus filmes seja este os diálogos e personagens peculiares ou a incrível edição. Wright tem seu próprio estilo de humor visual, se diferenciando principalmente no ritmo eletrizante de seus filmes. Em Ritmo de Fuga segue está linha. Com um ritmo estimulante, Wright mais uma vez tem tudo sobre seu total controle, mantendo sua marca específica em cada detalhe do posicionamento e movimentação da câmera.

É um ambiente diferente para Edgar Wright que estava acostumado com o charme da Inglaterra. Agora situado nos EUA, o filme perde um pouco deste charme, mas o substitui por um ritmo frenético de sequências de perseguição. A edição continua sendo o ponto forte dos longas do diretor que a utiliza brilhantemente como um recurso de narrativa visual, deixando espaço para uma comédia sagaz e afiada.

A trilha sonora, porém, é o destaque do filme. Esta é diferente, pois apresenta uma auto consciência, sendo de extrema importância para a trama e o desenvolvimento do personagem. As músicas são contantes, mas não chegam a ser distrativas ou prejudiciais a trama hora nenhuma. Edgar Wright parece ter tudo planejado fazendo com que o protagonista coordene sua própria trilha sonora deixando clara as intenções de cada sequência, além de traçar uma forte conexão com audiência. Quem não gostaria de ter uma trilha sonora da própria vida?!

Edagar Wirght também dá uma aula sobre o uso correto de bathos (uma técnica de narração que acompanha idéias sérias com o comum ou ridículo. A justaposição dessas idéias cria humor). Utilizando uma sensibilidade norte-americana, o diretor ainda consegue coordenar corretamente o humor dos diálogos espertos sem quebrar o clima de urgência do filme. Sem falar na hilária referência ao filme da Pixar, Monstros S.A, que com certeza entrará para a lista de frases clássicas dos filmes do diretor.

Ultimamente estamos muito mal-acostumados com os filmes de ação que são lançados, estes que são cheios de testosterona e nada mais. Em Ritmo de Fuga mostra que estes filmes não têm que ser assim. Com um ótimo desenvolvimento de todos os personagens e qualidade técnica, o longa mostra para todos que filmes de perseguição de carros não precisam ser ruins.

O elenco do filme também está muito bem, apresentando nomes como Kevin Spacey, Jamie Foxx e Jon Hamm fazendo ótimos trabalhos. Ansel Elgort é o que possui o trabalho mais difícil interpretando o calado Baby. Sua atuação silenciosa consegue transparecer a segurança do personagem no volante e sua insegurança social. Esta sua dificuldade de se conectar com as pessoas se desenvolve bem, estabelecendo a importância de seu então romance com Debora (Lily James), alguém com quem ele finalmente se conecta. Este romance, porém, foi o ponto mais fraco da história, apesar de ser bem representado. A cenas desaceleravam o filme que perdia um pouco de seu ritmo.

Algumas situações, como o final, são um pouco convenientes. Porém o filme segue uma estrutura sólida, com sequências de ação muito bem dirigidas e uma história interessante. Com certeza Em Ritmo de Fuga é uma ótima experiência no cinema!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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