CRÍTICA – Death Note
26 ago

CRÍTICA – Death Note

Filmes

Julia Giarola

Filme: Death Note
Título original: Death Note
Data de lançamento: 25 de agosto de 2017
Duração: 1h 41min
Direção: Adam Wingard
Gênero: Suspense, Terror, Fantasia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Adaptada do mangá de Takeshi Obata, a história gira em torno do jovem Light Turner, estudante brilhante que não sabe o que fazer com seu futuro até o dia em que encontra o Death Note. Ele descobre que pode adicionar nomes ao caderno, causando a morte de tais pessoas, e logo decide se livrar de vários criminosos. Seus atos, no entanto, despertam a atenção da polícia e Light começa a ser seguido por um perigoso homem.

Apesar de apreciar os projetos ousados e originais que estão sendo produzidos pela Netflix ultimamente (confira nossa crítica de Onde Está Segunda?), a plataforma está lançando uma tendência perigosa que afasta o público das salas de cinema, ao apresentar à possibilidade de assistir a tais filmes no conforto de nossas casas, deixando de lado todo o ritual e processo de ir ao cinema, algo que faz parte importante dos filmes exibidos. Porém, por enquanto, não vou deixar este fator interferir na qualidade dos filmes originais que assisto no serviço streaming, pois até agora se provaram ambiciosos, apresentando ainda conteúdos inovadores.

Adaptada do mangá homônimo de Takeshi Obata, a abertura de Death Note eleva as expectativas de todo o filme ao tomar um rumo interessante. Com uma sequência no estilo de Donnie Darko (2001), esta foi uma direção que não estava esperando para o filme, mas que se provou cada vez mais adequada para o projeto. Utilizando um posicionamento e uma movimentação de câmera específica e cuidadosa, o talentoso diretor faz ao máximo para que seu trabalho seja destacado no filme, algo que funciona muito, já que a direção é o aspecto mais forte desta adaptação. Com a câmera inclinada e reciclando alguns maneirismos familiares de filmes de terror, Adam Wingard traz a história para o radar da audiência que está tão acostumada com tal ambiente.

Este, porém, se contradiz com a óbvia alta classificação indicativa do filme devido às cenas de violência gráfica, ao insistir em permanecer no tom de um filme teen. O próprio elenco, que faz sim um bom trabalho, contribui para isso, talvez por não serem tão conhecidos, ou apenas não elevarem tanto o material o quanto deveriam. Os atores apresentam boas atuações nas circunstâncias que são estabelecidas, mas que deixam estes tão longe de serem um destaque na indústria se encaixando no velho esteriótipo de adolescente que destrói completamente as motivações coerentes e necessárias para o desenvolvimento da história. Esta “interpretação” diferente do estimulo dos personagens prejudica drasticamente os momentos em que a trama se mantem fiel ao mangá, pois estes devem ser resultado de uma jornada específica e complexa do protagonista que agora se enxerga como um deus. Porém o filme deixa isso de lado e simplifica esta motivação a entregando à simples futilidade e é exatamente aí que o filme se entrega: abordando a massante imaturidade e deixando de se tornar algo especial.

A missão dos roteiristas com certeza não foi fácil ao adaptar o incrível material de origem e por isso, nestas circunstâncias, fazem um bom trabalho. Com uma história condensada em um só filme eles decidiram estabelecer um ritmo ágil para a trama o que foi uma decisão esperta, pois desta maneira o filme não se arrasta. Não podemos ignorar a óbvia americanização do material, porém mais uma vez os roteiristas estavam um passo a frente de seus contemporâneos ao adaptar o próprio ambiente do filme, algo que A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (confira nossa crítica aqui), por exemplo, não conseguiu fazer. Desta maneira a imensa distração é resolvida, focando realmente nos aspectos dessa nova perspectiva da história.

Death Note levanta alguns aspectos interessantes sobre moralidade, algo que foi bem extraído de seu enredo. Quem deve decidir quem vive e quem morre? Quem deve decidir o que é certo e o que é errado? É neste aspecto que o filme vai um pouco além, acrescentando um toque de profundidade em sua história.

Em relação aos aspectos técnicos, mais uma vez a Netflix peca, talvez até mesmo por falta de orçamento ou experiência. A utilização de efeitos especiais no rosto de Ryuk são uma distração, quando poderiam apenas utilizar uma boa maquiagem e truques de iluminação que talvez teriam um melhor resultado. Mas é o que é, podendo deixar passar por não aparecer na maioria das cenas.

O terceiro ato com certeza foi o melhor momento do filme, apresentando sequências estimulantes e terminando o filme com uma “explosão”. Esta é a melhor maneira de acabar um filme, finalizando bem sua história para que ela fique  resignada com o público por um bom tempo após saírem da “sala de cinema”. E aí está a desvantagem de um lançamento direto da plataforma, permitindo que todas as distrações auxiliam no esquecimento rápido do filme que acabamos de assistir. Death Note é exatamente isso: um film bom que logo será esquecido!

Nossa nota é:

 

Assista ao trailer:

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