CRÍTICA – Thor: Ragnarok
03 nov

CRÍTICA – Thor: Ragnarok

Filmes

Julia Giarola

Filme: Thor: Ragnarok
Título original: Thor: Ragnarok
Data de lançamento: 26 de outubro de 2017
Duração: 2h 11min
Direção: Taika Waititi
Gênero: AçãoFantasiaAventuraFicção científica
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Thor (Chris Hemsworth) está preso do outro lado do universo. Ele precisa correr contra o tempo para voltar a Asgard e parar Ragnarok, a destruição de seu mundo, que está nas mãos da poderosa e implacável vilã Hela (Cate Blanchett).

Divulgação é um aspecto do cinema que foi criado por Hollywood e hoje vem se provado muito importante para filmes que anteriormente não conseguiriam ter a atenção do público. Porém, ao evoluir, esta divulgação saiu do “promover” e partiu para o manipular. Os filmes da Marvel são sucessos de bilheteria e na crítica, as vezes muito merecidamente. A construção do universo cinematográfico foi uma inovação muito bem realizada pelo estúdio que, infelizmente, agora cai na fórmula mágica que não consegue se quebrar. Mais uma vez um longa da Marvel sofre a interferência da publicidade que, apesar de ser muito bem-feita e organizada, acaba programando uma reputação antecipada para preceder o filme. Assim, a aparente alta qualidade se torna regra e confunde a audiência que DEVE gostar do longa. Então assim como uma criança, as pessoas se recusam a serem firmes com com a realidade que Thor: Ragnarok apresenta: apenas mais um filme divertido.

Acompanhando o sucesso dos trailers, boas críticas e ainda sendo grande fã do trabalho do diretor Taika Waititi, foi uma surpresa quando o filme não conseguiu segurar minhas expectativas. Logo no início um pouco bagunçado, aleatório e corrido, fiquei preocupada com o restante do longa, que felizmente melhorou significantemente seu ritmo. Waititi mostra mais uma vez seu talento na construção de universos e sua visão em enquadramentos belíssimos e épicos que refletem pinturas à óleo, homenageando a mitologia presente nos quadrinhos. Porém esta mitologia para por aí já que Thor: Ragnarok descarta história e parte direto para as piadas.

A trama é sim divertida e bem construída, porém totalmente distraída pela constante presença de piadas o que tirou muita da tensão das cenas de lutas bem dirigidas, já que essas diminuem consideravelmente a seriedade dos conflitos do longa. Thor: Ragnarok tenta construir sub-tramas mais complexas e aprofundadas em relação as dinâmica e as vezes consegue, porém a “necessidade” de sempre tentar arrancar risadas da audiência totalmente enfraquece o que foi estabelecido. As batalhas que deveriam ter perigo e consequências, são apenas sequências de pura adrenalina e nada mais. Em vez de ser um filme de super-herói com comédia, é uma comédia com super-heróis e isso não é uma boa direção para o gênero.

Algo que a Marvel não falha, porém, é seu aspecto técnico que é excelente neste filme. Derivando de Guardiões da GaláxiaThor: Ragnarok tem uma trilha sonora excepcional e extremamente apropriada que consegue eletrizar o filme. Presenciar Thor finalmente se tronando o “Deus do Trovão” foi emocionante, desconstruindo tudo que conhecemos sobre o personagem até ali. Cate Blanchett mais uma vez rouba todas as cenas como Hela, dando seu máximo com o pouco tempo de tela. Os efeitos especiais também não deixam nada a desejar, mesmo com tantos personagens de CGI.

O restante do elenco fez também um bom trabalho, apesar de não entender a função de Loki no filme, ele que se tornou um personagem cansativo depois termos visto tudo que tinha para oferecer. Mark Ruffalo continua seu bom trabalho com a dualidade de HulkBruce Banner, que infelizmente não recebem toda a atenção que merecem neste filme. Jeff Goldblum é outro destaque do filme, mostrando mais uma vez seu talento natural para a comédia, que honestamente me pareceu a única genuína em meio de todas as piadas. A presença de Tessa Thompson foi totalmente desperdiçada já que sua personagem não tem muita função no filme além da velha sugestão de romance com o mocinho (nesse caso, os mocinhos). O fato de Valkyrie ser bissexual, como anunciado pelo estúdio, não é nem mesmo mencionado o que também é uma pena.

O real problema de Thor: Ragnarok é a glória que o precede, dando um exemplo perfeito que até mesmo a boa reputação pode ser perigosa, no meu caso elevando expectativas que não cabem ao filme que é, sem dúvidas um filme divertido, mas que não entrega nada novo como a crítica deixa parecer. Está na hora da Marvel se arriscar um pouco com uma nova fórmula para que não caia na mesmice para sempre.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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