CRÍTICA – Star Wars: Os Últimos Jedi
23 dez

CRÍTICA – Star Wars: Os Últimos Jedi

Filmes

Julia Giarola

Filme: Star Wars: Os Últimos Jedi
Título original: Star Wars: The Last Jedi
Data de lançamento: 14 de dezembro de 2017
Duração: 2h 32min
Direção: Rian Johnson
Gênero: Ficção científica, Ação
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker (Mark Hammil) em uma ilha isolada, a jovem Rey (Daisy Ridley) busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre jedi. Paralelamente, o Primeiro Império de Kylo Ren (Adam Driver) se reorganiza para enfrentar a Aliança Rebelde.

A expansão de uma franquia pode parecer irrelevante para o público casual. O que é mais um filme sobre espadas de luz e guerras no espaço? Porém o que muitas dessas pessoas não entendem é a importância desses filmes para uma enorme base de fãs. Além de nostalgia, Star Wars representa muito mais que uma história de ficção-científica. Não, nesta nova era onde a cultura nerd se tornou “popular”, podemos encontrar com muito mais facilidade o que a saga contribuiu para o cinema moderno. Além de influenciar a maneira de como frequentamos o cinema para sempre, os contos sobre uma galáxia muito, muito distante trouxe credibilidade ao gênero mostrando o poder desse meio ao envolver temas políticos complexos. Assim dizendo, os fãs são os responsáveis por trazer esses temas a tona, com constantes análises e interpretações, algo que ajudou a prolongar a vida da franquia. Com isso em mente, a atual revolta a respeito do novo lançamento não é toda sem embasamento, já que ao quebrar regras do universo originalmente criado por George Lucas, Star Wars: Os Últimos Jedi perde também sua essência.

Hoje, parece que o efeito do sucesso dos filmes da Marvel moldaram toda a estrutura dos estúdios que tentam copiar esse sucesso a risca. Se apoiando em um humor parodiado no estilo S.O.S. – Tem um louco solto no espaço (1987) onde a própria produção está autoconsciente, Star Wars: Os Últimos Jedi apresenta duas cenas muito bem executadas de comédia, deixando todas as outras piadas fora de lugar e sem graça. Ainda que alguns truques baratos arranquem risadas de parte da plateia, a constante necessidade de recriar uma fórmula atrapalha consideravelmente o peso emocional do filme. A presença de personagens e criaturas coadjuvantes sempre foram uma maneira de incluir alívio cômico às trilogias anteriores, algo que também acontece neste filme. O problema, porém, é quando esse humor vem de protagonistas que não possuem essa característica específica, fazendo com que todos sejam “piadistas”, assim como no universo da Marvel.

Apesar de ser um filme superior ao anterior que recriou exatamente o formato do primeiro Star Wars, este lançamento sofre com o excesso de liberdade com o material, quebrando deliberadamente regras pré-estabelecidas do universo, para encaixar uma trama desejada. Assim como em Despertar da Força, as habilidades de Rey continuam sem limites, apesar de estarem mais ponderadas neste filme. A maneira como a história trata os Jedi e a Força não é a mesma comparado com o resto da franquia. Em vez de ser uma presença sutil, a Força se tornou um recurso para os roteiristas que a utilizam quando precisam resolver um conflito dentro da trama, e, citando o Han Solo, “Não é assim que a Força funciona!”.

Alguns aspectos do filme funcionam muito bem como o relacionamento criado entre Rey e Kylo Ren (apesar de ser em circunstâncias forçadas, como mencionado no parágrafo anterior). Além da excelente química entre os atores, a tensão criada neste conflito entre Rey e Ben Solo/Kylo Ren foi muito interessante, dando aos atores muito o que fazer. Tanto Daisy Ridley quanto Adam Driver brilham nas cenas. Se o sub-enredo emocional funciona hora alguma neste filme é graças a estas atuações honestas e poderosas, que são de longe os destaques do filme.

Vestígios do que a história queria conquistar podem ser visto durante o filme que, apesar de boas intenções, se torna muito cheio. A escolha de fragmentar a trama e seguir cada protagonista em sua respectiva jornada foi ousada, já que precisa ser muito bem executada para dar certo. E aqui não foi. Com duas horas e meia de duração, Star Wars: Os Últimos Jedi as vezes perde o foco querendo fazer tudo em “pouco” tempo, o que prejudica seu ritmo. Felizmente isso permitiu que a direção estilosa e sofisticada de Rian Johnson roubasse a atenção, trazendo incríveis enquadramentos e um toque artístico ao blockbuster.

Algo que nunca irá falhar em qualquer Star Wars é a nostalgia, seja devido à trilha sonora ou às batalhas no espaço, que ainda são o ponto alto do filme. Depois de um trabalho mais discreto em Despertar da Força, John Williams volta com as poderosas notas que implementam cada ação com um toque dramático. Beneficiando também dos efeitos especiais disponíveis pelo capital da Disney, as cenas de lutas, principalmente envolvendo as estilosas naves, são de arrepiar, trazendo de volta boas memórias da saga.

O problema continua sendo o roteiro que não combina com a sofisticação das trilogias anteriores que ofereciam conceitos em vez de explica-los. Agora com a Disney no comando e com um público alvo mais novo em mente, tudo vira fala, desvalorizando o que foi criado nos filmes anteriores, estes que deram credibilidade ao gênero ficção-científica. Não é apenas sobre o que é dito, é também sobre o que não é, e é aí que o cinema comercial erra: onde eles tentam explicar ao público o que está acontecendo em vez de mostrar; tentam dizer o que estão sentido em vez de fazê-los sentir.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

Leia também

Comentários