CRÍTICA – Ponto Cego
10 set

CRÍTICA – Ponto Cego

Filmes

Julia Giarola

Título: Ponto Cego
Título original: Blindspotting
Data de lançamento: 4 de outubro de 2018
Duração: 1h 35min
Direção: Carlos Lopez Estrada
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Em Oakland, Califórnia, o ex-presidiário Collin (Daveed Diggs) enfrenta os últimos dias de liberdade de condicional antes de acertar as suas contas com a justiça. Quando ele e o amigo Miles (Rafael Casal) presenciam uma troca de tiros envolvendo policiais, eles hesitam sobre a melhor coisa a fazer. O caso expõe as diferenças de pensamentos entre eles e revela os traumas sociais de cada um.

Oaklnad é o cenário de seu segundo sucesso este ano. Estreando juntamente com outro aclamado filme saído do Festival de Sundance deste ano, Ponto Cego, assim como Sorry To Bother You – crítica em breve – utiliza seu ambiente para preparar com cuidado os temas que serão explorados no filme. Também como o primeiro trabalho dos roteiristas e protagonistas Daveed DiggsRafael Casal, assim como diretor Carlos Lopez Estrada, Ponto Cego é uma obra de muitos conceitos que, com muita dinâmica e distinção, consegue ultrapassar seu descompasso apresentando atuações e cenas poderosas.

Desde o primeiro segundo, Ponto Cego estabelece seu estilo. Os cortes dinâmicos e cores marcantes ajudam a estabelecer seu ambiente logo no começo. Acompanhando, então, a edição eletrizante se complementar com as escolhas estilísticas do diretor, a audiência é testemunha de cenas poderosas e divertidas, misturando bem os temas pesados do filme com sua direção artística. Esta combinação transcende alguns dos problemas com transições entre gêneros, fazendo deste longa uma das melhores coisas a sair de Sundance este ano.

Identidade é um tema muito importante do filme. Retratando a triste realidade que varia entre óbvias distinções raciais até problemas mais sutis tais como o porte de armas, Ponto Cego manobra entre racismo e comunidade; amizade e lealdade. A conexão entre os personagens e o ambiente é um dos aspectos que marcam o filme. Utilizando Oaklnad como um cenário central por um propósito, o longa usa imersão como fator dos conflitos. Daí adiante, segue um trajeto de apontar influências externas desta imersão.

Revelando talentos tanto em frente quanto atrás da câmera, é a dinâmica entre os personagens e os diálogos que cativam a audiência. Os relacionamentos e situações criados pelo roteiro possuem um ritmo próprio, um ritmo que hipnotiza com aspectos da realidade. Isso também acontece com as escolhas visuais peculiares que combinaram tão bem com a trama geral do filme. Daveed Diggs e Rafael Casal como os protagonistas são o que o filme tem de melhor para oferecer. A química entre a dupla, assim como o talento e poder individual que cada um carrega durante as cenas, é algo maravilhoso de se ver, já estabelecendo Ponto Cego como imperdível.

O único ponto negativo do filme, porém, é a alternação brusca entre drama e comédia. Em vez de introduzir uma trama, como faz parecer no começo – onde ainda está seguindo a estrutura sutil -, Ponto Cego se distrai com seus muitos temas e esquece de voltar para o enredo principal. Isso só acontece nos últimos minutos do filme. Esta falta de foco é o único motivo de este não ser o longa perfeito, já que constrói um mundo tão embasado na realidade, que combina perfeitamente com o absurdo dos acontecimentos e estilo único do filme. Não deixe de conferir!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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