CRÍTICA – Oitava Série
14 out

CRÍTICA – Oitava Série

Filmes

Julia Giarola

Filme: Oitava Série
Título original: Eighth Grade
Data de lançamento: Sem previsão
Duração: 1h 34min
Direção: Bo Burnham
Gênero: Comédia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Kayla (Elsie Fisher), de 13 anos, como toda jovem do subúrbio americano, sofre na última semana do ensino fundamental – o fim de seu até agora desastroso ano da oitava série/nono ano – antes de começar a frequentar uma escola nova no ensino médio.

Evitar clichês, nem sempre significa ser original. As vezes, simplesmente representar a vida como ela é, sem controlar pontos de trama é a melhor maneira de retratar a realidade mesmo explorando aspectos que já conhecemos em outras obras do mesmo gênero. Com uma variedade de histórias “coming of age“, a extensão do gênero representa muito bem todas as maneiras no qual o amadurecimento pode ser parecido entre as pessoas, quando se é reduzido em uma breve sinopse. Porém, com um olhar mais cuidadoso, podemos perceber que cada jornada é única. Com uma voz personalizada, a protagonista de Oitava Série nos leva em uma jornada sutil sobre vulnerabilidade e conexão que encanta a audiência.

Representando a vulnerabilidade e solidão da adolescência,  a realidade artística representada por Bo Burnham, juntamente à seu estilo pessoal, Oitava Série encontra uma maneira de isolar a protagonista e a história de uma maneira magnifica e simbólica. O filme é um vácuo que representa a visão e perspectiva solitária de Kayla, sobrepondo narrações e situações de modo muito interessante.

Como a maioria dos filmes “coming of age“, Oitava Série lida com os esteriótipos da adolescência assim como a dificuldade de se expressar. Porém, onde o filme se difere é como conta sua história. Em vez de apostar em longos diálogos, se apoia em longos silêncios – ou músicas – que isolam a protagonista de uma maneira muito realista. A estrutura invisível e fluente do roteiro permite que isso acontece sem estabelecer um ritmo monótomo. A direção de Burnham, com a câmera seguindo Kayla, tenta se agarrar à sua perspectiva de uma maneira muito íntima, quase invasiva. Mas os momentos ainda são somente dela, já que apenas ela pode fazer decisões diante as situações do filme.

Da mesma maneira que Juno (2007) é conduzido por Ellen Page, é quase impossível falar de Oitava Série sem mencionar a atuação surpreendente de Elsie Fisher. Com maturidade, a jovem atriz comanda seus silêncios com autoridade e honestidade. Assim como todo o restante do elenco,  Fisher dá credibilidade ao roteiro naturalista de Burnham a à sua direção sutil. A importância do estilo visual do longa é que este não tem medo de apresentar tudo que existe durante o início da adolescência, fazendo de Oitava Série um dos melhores filmes do ano, até o momento e, possivelmente, um dos favoritos para o próximo Oscar em 2019. Imperdível!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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Comentários

  • Dam Ramos

    ESSE FILME É INCRIVEL
    me identifiquei muito com kayla.
    bateu forte