CRÍTICA – Nasce Uma Estrela
13 out

CRÍTICA – Nasce Uma Estrela

Filmes

Julia Giarola

Filme: A Star Is Born
Título original: Nasce Uma Estrela
Data de lançamento: 11 de Outubro de 2018
Duração: 2h 16min
Direção: Bradley Cooper
Gênero: Drama, Romance
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama. Um dia, após deixar uma apresentação, ele para em um bar para beber algo. É quando conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.

A história contada diversas vezes, sob perspectivas diferentes, se repete mais uma vez. Agora explorando a própria  perspectiva fundamentada no núcleo desta nova instalação, o Nasce Um Estrela de Bradley Cooper tenta restabelecer elementos importantes dos clássicos que originaram o longa, adicionando tópicos modernos com uma sutileza calculada. Além das músicas e das emoções, este novo lançamento tenta contar uma história sobre a arte e como a realização e necessidade de ter algo a dizer deve ultrapassar as barreiras da fama e do tóxico sucesso.

Tentando explorar suas novas raízes como diretor, Bradley Cooper conduz este filme com uma sutileza artística moderna e calculada. O diretor dedica tempo à cada enquadramento e movimento de câmera. Com o poder de manipular tópicos que, em outras mão, aparentariam pretensiosos, Cooper consegue desviar esta reação ao apresentar a história de um relacionamento. Investindo o interesse da audiência, o diretor injeta temas de autodestruição nas entrelinhas, algo que se conecta com o casal nos momentos finais do longa. O roteiro, então, apesar de imperfeito, conquista transições “sem costuras” de uma a maneira surpreendente que foi além das expectativas.

Estabelecendo um relacionamento também com o contexto externo da cultura popular, tal como referencias à própria vida de Gaga, assim como o paralelismo com sua própria classificação como remake, Nasce Uma Estrela explora o fato das histórias se repetirem, porém sob olhares de diferentes pessoas. A metalinguagem inserida no filme, além de elevar seu conceito, também traça uma relação interessante de respeito entre entre essa nova instalação e seus predecessores. O longa lida muito bem com esse relacionamento, sendo algo próprio, mas ainda honrando os elementos básicos da jornada original.

Ao se apoiar tanto nesse relacionamento entre os personagens principais, vale a pena mencionar a química entre os atores. Lady Gaga faz sua grande estréia nas telas do cinema com uma atuação honesta que conquista seu status como atriz. A dinâmica entre Jack e Ally alimenta a história durante as duas horas de filme, se alternando enquanto assistimos o relacionamento evoluir. Gaga não apenas empresta sua voz poderosa para o filme, mas também uma vulnerabilidade impressionante. Em momentos mais leves da trama, os atores relaxam e mostram um outro lado de seus personagens.

Construindo uma personagem forte e interessante, Lady Gaga se destaca no filme. Um dos motivos, porém, pode ser atribuído pela falta de personagens femininas. Com a presença única de Ally, Nasce Uma Estrela não se esforça para criar personagens femininas para a trama, rodeando Gaga com personagens masculinos. Este aspecto é um dos pontos fracos do filme que, além de ignorar este problema, não aprece se incomodar com este fato.

Por ser um filme que utiliza da música para construir seu tema, Nasce Uma Estrela apresenta algumas canções boas, mas, em geral, fracas para o calibre do filme. Em certos pontos do longa, a história depende de momentos emocionais que são totalmente apoiados nessas canções que, nem todas as vezes são fortes o suficiente para carregar esse peso sozinhas. Porém, mesmo assim, os atores as elevam com interpretações honestas.

Problemas a parte, esta nova instalação de Nasce Uma Estrela conta uma história sobre uma nova perspectiva. Explorando uma jornada sob uma nova interpretação, Bradley Cooper conquista seu status como diretor, refletindo o tema do filme, assim como cria o que pode ser o nascimento da nova etapa da carreira de Lady Gaga que se prova uma atriz nata. Sem ignorar os erros delicados que o filme comete, Nasce Uma Estrela é uma história emocionante que merece ser assistida. Não deixe de conferir!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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