CRÍTICA – Mandy
07 out

CRÍTICA – Mandy

Filmes

Julia Giarola

Filme: Mandy
Título original: Mandy
Data de lançamento: Sem previsão
Duração: 2h 01min
Direção: Panos Cosmatos
Gênero: Ação, Suspense
Nacionalidade: EUA, Bélgica

Sinopse: Em algum lugar no deserto primitivo perto das Montanhas das Sombras, no ano de 1983, Red Miller (Nicolas Cage) e sua esposa Mandy (Andrea Riseborough) vivem uma vida tranquila. Depois que uma seita religiosa invade o local e mata o amor de sua vida, Red vive apenas por uma coisa: caçar esses maníacos e exigir vingança.

Estreado no Festival Sundance de Cinema deste ano (2018), Mandy foi um dos filmes que chamou a atenção da crítica e, consequentemente do público, graças a alta pontuação no popular site Rotten Tomatoes. Estrelado por Nicholas Cage, o filme gerou curiosidade mesmo antes de seu trailer ser lançado oficialmente. Com o poder de hipnotizar audiências que, agora puderam experienciar o caos artístico na tela, Mandy se concretiza como um clássico cult imediato, retornando Cage aos anos de glória em seu mais novo nicho.

Superando os primeiros minutos confusos e ultra-psicodélicos, o longa encontra seu tom. Mesmo desperdiçando esses preciosos minutos iniciais sem estabelecer bem o herói e seus relacionamentos, Mandy nos recompensa com uma jornada de vingança frenética que combina impossibilidade e estética perfeita. Ao tirar  vantagem da absurdidade no qual Nicholas Cage se tornou nos últimos anos, o filme explora as qualidades cult do horror caótico de A Morte do Demônio (1981) e elementos fantásticos e saturados de séries subestimadas tal como Deuses Americanos (confira nossa crítica aqui).

Ao estabelecer um humor absurdo em volta dos personagens extremos apresentados no filme, Mandy retorna às raízes do horror tão bem explorados em clássicos como O Homem de Palha (1973) ou obras modernas tais como A Bruxa. Este longa, porém, é mais caótico, mais colorido, mais violento e mais engraçado. Apesar de não superar os filmes mencionados, Mandy, com certeza, alcança patamares que muitos filmes não conseguiram, combinando os fatores e criando algo novo, algo que ninguém nunca viu antes.

O mundo de puro caos e febre criado por Panos Cosmatos, apoia as decisões relaxadas do roteiro, que não tenta complicar uma história simples de vingança. A complexidade vem na maneira no qual o cineasta decide contar a história, entregando à audiência uma experiência bizarra que deixa sua marca. Usando e abusando dos aspectos técnicos do filme – como a impecável fotografia -, Cosmatos utiliza do ridícula para injetar humor ao absurdo. Justificando a presença de Nicholas Cage no longa ao explorar a personalidade que o ator se tornou nos últimos anos, o diretor capitalizou sua atuação exagerada para alternar entre horror de alto conceito e o trash peculiar. E isso funcionou.

Assistindo com uma grande platéia, o envolvimento no filme é contagiante. Mandy sabe quando rir de si mesmo, trazendo a audiência junto. A vibração de cada tom da tela ou cada tom na barulhenta trilha sonora impacta a sala de cinema de uma maneira incrível, deixando de lado os pequenos erros com ritmo de roteiro e acessibilidade de público, para agradar o nicho específico para qual foi construído. Infelizmente o filme ainda não tem nenhuma previsão para chegar no Brasil, mas, com certeza, é uma experiência única!

Assistir ao trailer:

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