CRÍTICA – Liga da Justiça
19 nov

CRÍTICA – Liga da Justiça

Filmes

Julia Giarola

Filme: Liga da Justiça
Título original: Justice League
Data de lançamento: 16 de novembro de 2017
Duração: 2h 00min
Direção: Zack Snyder
Gênero: Ação, Ficção científica
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman, Bruce Wayne convoca sua nova aliada Diana Prince para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman, Cyborg e Flash, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Após pressão intensa dos críticos e do público, a DC Comics aparentemente pôde respirar aliviada após o sucesso (muito merecido) de Mulher-Maravilha no começo desse ano. Porém, mesmo com o lançamento de um filme forte, a cobrança não cessou, trazendo de volta a pressão incansável sobre o estúdio que acaba interferindo e prejudicando as decisões criativas do universo cinematográfico. Entre controvérsias, imprevistos e refilmagens, Liga da Justiça dá uma pausa na intensidade do universo da DC para agradecer os fãs por seguirem esses personagens por tanto tempo em uma jornada falha, porém bem divertida.

Assegurando ao público que nunca foi tão gratificante ser um fã deste mundo criado por personagens complexos, a logo de abertura da DC, acompanhada por uma trilha sonora nostálgica, trás de volta lembranças da série animada, transmitindo a sensação de estar assistindo um episódio da animação clássica. É claro desde o início a nova direção que Zack Snyder está tomando como diretor, levando junto o universo cinematográfico da DC. Após decisões criativas forte (e controvérsias) em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, o diretor ousa colocar um tom menos pretensioso, ainda sem tirar o tom sombrio característico deste universo.

O renascimento de Superman é tratado como um legado, explorando bem sua importância e tudo que ele representa para a Terra, assim como aborda as consequências de sua ausência. Em uma sequência interessante ao som Everybody Knows de Sigrid, o filme logo trás de volta uma relevância presente no universo da DC, extraindo algo a mais da velha história dos super-heróis. É difícil ter esse tipo de enredo, onde ainda deve introduzir novos personagens, sem que este seja fragmentado, porém Liga da Justiça diminui um pouco a ambição e conta uma história mais simples de apenas levar os heróis de um ponto ao outro. Isso não reduziu o filme demais, já que este utilizou seu tempo para estabelecer personagens e seus relacionamentos que honestamente, é o ponto alto do filme.

As dinâmica entre todos os personagens são diferentes, mostrando como cada um interage entre si. Bruce e Alfred deixam os fãs cada vez mais animados para um filme solo com Affleck; Bruce e Diana apresentam um conflito interessante sobre liderança e responsabilidades; e Diana e Ciborgue introduzem o tema da confiança e trabalho em equipe que não poderia faltar no filme. Sim, a trama principal do filme é realmente bem simplória, fazendo com que seja um plano de fundo no longa. O que realmente importa em Liga da Justiça é o time e como eles se comportam em grupo.

Um problema presente em projetos anteriores de Zack Snyder é seu tratamento de personagens femininas, sendo um grande exemplo a representação de Espectral II em Watchmen (2009). Porém o sexismo presente em Liga da Justiça parece ter o dedo de Joss Wheadon, que tomou conta da produção após o afastamento de Znyder devido à problemas pessoais. Recriando uma cena de Vingadores: Era de Ultron, onde Bruce Banner cai com o rosto virado para o decote da Viúva Negra, Diana parece receber o mesmo tratamento aqui. Com roupas extremamente decotadas e alvo de piadas machistas, a heroína ocasionalmente é reduzida ao velho esteriótipo que Patty Jenkins lutou tanto para quebrar. É graças a atuação de Gal Gadot, que essa personagem não foi perdida no filme, já que a atriz tem presença forte entre os integrantes da equipe.

Este novo universo que está sendo desenvolvido pela DC consegue trazer para as telas as personalidades famosas  e clássicas como o “Batman detetive” de Ben Affleck, mas também novas interpretações que já conhecemos. Um exemplo disso foi o novo Cyborg que conseguiu se encaixar bem na equipe e na trama. Apesar do CGI notável, Ray Fisher trouxe uma humanidade à Victor Stone que se provou importante para o potencial futuro da DC. Jason Mamoa tem uma presença notável graças a seu visual e aparência marcantes, porém caiu um pouco despercebido devido ao tempo limitado na tela e sua interpretação um pouco instável. Diana Prince continua como um dos destaques do filme, apesar de sentir falta de uma evolução nos poderes de Mulher-Maravilha, que continuam praticamente os mesmo de seu filme solo, mesmo após décadas terem se passado. O Flash começa bem, porém se torna cansativo e até mesmo irritante com uma comédia meio forçada que parece vir de Wheadon, sem crucificar o humor presente no filme que é, em sua maioria, bem colocado e equilibrado. Porém algumas piadas vindas de Ezra Miller quebram uma tensão crucial do longa que não deve ser quebrada.

Como sempre, Zack Snyder apresenta uma direção sólida e marcante, mesmo com suas novas escolhas criativas. Danny Elfman e sua trilha sonora se tornaram um personagem no filme trazendo de volta os dias de glória do Batman de 1989. O problema real do filme é o vilão. Steppenwolf é apenas mais um grande monstro de CGI (mal feito), sem ambição ou motivação. Sua presença é totalmente esquecível, além de parecer um vilão de videogame com frases feitas e discursos clichês. Esse aspecto antagonista realmente tem sido um problema para o estúdio, um aspecto que merece mais cuidado, já que está começando a desvalorizar seus heróis.

Liga da Justiça é um passo na direção certa, como provaram suas duas (incríveis) cenas pós-créditos, mostrando a ambição que deixa os fãs cada vez mais animados para o futuro desse universo que, agora, mostra seu comprometimento com suas raízes. Em geral é um filme divertido, principalmente para aqueles que estão familiares com personagens queridos. Os problemas existem, não podemos ignorá-los, porém estão longes de serem graves o suficiente para completamente crucificar o filme (né Rotten Tometoes?!). Com certeza confira essa aventura no cinema!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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