CRÍTICA – Lady Bird – A Hora de Voar
25 jan

CRÍTICA – Lady Bird – A Hora de Voar

Filmes

Julia Giarola

Filme: Lady Bird – A Hora de Voar
Título original: Lady Bird
Data de lançamento: 15 de fevereiro de 2018
Duração: 1h 33min
Direção: Greta Gerwig
Gênero: DramaComédia
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Christine McPherson (Saoirse Ronan) está no último ano do ensino médio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia firmemente rejeitada por sua mãe (Laurie Metcalf). Lady Bird, como a garota de forte personalidade exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto sua hora não chega, no entanto, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro, típicos rituais de passagem para a vida adulta e inúmeros desentendimentos com a progenitora.

A simplicidade transparece na tela, mesmo que muitos ainda não consigam enxergar. A experiência de ir ao cinema diz muito sobre nós mesmos, colocando em jogo o que consideramos ou não atraente, realista ou até mesmo parado e chato. Pelos olhos delicados de cineastas jovens, os filmes que focam em pessoas e em relacionamentos podem não atrair uma enorme bilheteria, mas refletem perfeitamente a realidade da época que escolhem representar. Histórias sobre amadurecimento são bem comuns na sétima arte em geral, mas é como cada uma retrata a individualidade das experiências pessoais e também a conexão dessas experiências em coletivo que se distinguem e fazem a mais simples trama parecer tão carregada em significado.

Lady Bird – A Hora de Voar não conta uma história distante da que conhecemos. Acompanhando a complexidade da juventude, este filme é um estudo sobre personagens e relacionamentos destacando uma tese principal onde reconhece que amor é atenção. Extraindo deste conceito interessante, podemos aproveitar com calma a evolução da protagonista onde, experimentando diferentes identidades, seus relacionamentos são movidos por algo tão simples como atenção. Apesar de ser uma história relativamente simples, o roteiro mostra que Christine “Lady Bird” McPherson é mais complexa que o ambiente que a rodeia, assim como todos nós. Afogando em relacionamentos complicados, a personagem batalha para ter atenção, seja da mãe, da amiga ou do garoto. Esta luta constante para ser notado é bem simples já que, no final, é nosso maior objetivo. Porém, o que o longa faz é mostrar que a dificuldade que temos de nos relacionar é devido à maneira distinta que cada um de nós demonstramos atenção.

Os relacionamentos criados por Greta Gerwig são honestos e orgânicos fazendo o filme ir além de suas premissas básicas. Entre as muitas interações durante a história, Gerwig destaca a interessante dinâmica entre Lady Bird e sua mãe, um relacionamento complexo e realista que primeiramente aparenta antagonístico, mas na verdade se revela como carinhoso e delicado. Favorecendo da qualidade visual de memórias com um tom pastel, Lady Bird – A Hora de Voar ainda consegue passar a sensação atemporal, balanceando o moderno com o nostálgico. Esta é mais uma conquista técnica da diretora estreante.

Quando se trata do tom emocional do filme, Greta Gerwig parece estar bem confortável em sua nova função, expondo sua experiência como atriz para injetar vulnerabilidade em uma história delicada. Os atores se entregam ao longa, complementando perfeitamente o lindo roteiro de Gerwig. Misturando a comédia irônica e desconfortável com o drama sutil, Lady Bird – A Hora de Voar é um porta retrato da autodescoberta. Destacar Saoirse Ronan e Laurie Metcalf em um extenso elenco talentoso é a dizer o quanto suas atuações são brilhantes. A dinâmica entre as duas personagens estabelece a tese do filme, assim como seu sub-enredo emocional contando uma história familiar sobre duas perspectivas. As sutilezas preenchem Lady Bird – A Hora de Voar, formando uma bela obra sobre conexão e aprovação, onde todos estão atrás da mesma coisa: atenção e amor.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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