CRÍTICA – Inspire, Expire
05 jan

CRÍTICA – Inspire, Expire

Filmes, Notícias

Victor Tadeu

Título: Inspire, Expire
Título original: And Breathe Normally
Data de lançamento: 04 de janeiro de 2019 (Netflix)
Duração: 1h 43min
Direção: Isold Uggadottir
Gênero: Drama
Nacionalidade: Islandia

Sinopse: Duas pessoas têm suas vidas conectadas de forma inesperada: uma mãe solteira islandesa que luta contra a pobreza e uma refugiada de Guiné Bissau que pode ser deportada.

Duas mulheres estão passando por situações sensíveis podendo colocar o resto de suas vidas em risco, por um lado acompanhamos uma mãe solteira lidando com a escassez de dinheiro, por outro, uma refugiada de Guiné-Bissau próximo de sua deportação. Ambas são fortes, tem o destino cruzado de forma deselegante, mas contém uma conexão extremamente necessária, capaz de se erguerem uma com a outra.

Inspire, Expire é um filme islandês que está sendo distribuído em território brasileiro pela Netflix, consequentemente carregando o selo Original Netflix. De forma realista e reflexiva, o longa-metragem levanta questões diversos de forma curiosa, principalmente os conflitos atuais da sociedade e seus prejuízos.

Apresentando mulheres guerreiras, o filme consegue se manter em cenas calmas, sem muito diálogo e totalmente reflexivos, onde acompanhamos os problemas pessoais e sociais de duas pessoas distantes. Apesar dos momentos serem dramáticos, o diretor Isold Uggadottir conseguiu tornar a história interessante ao revelar aos poucos o que cada protagonista estava passando e tinha em comum.

Fraude em documentação, sexualidade, uso de substância química e entre assuntos atualmente discutidos são levantados durante o filme, apesar de serem apresentados de forma simples e sem muito impacto, a produção conseguiu desenvolver mecanismos para que a influência deles na vida das protagonistas tornasse-os interessantes, assim sabendo trabalhar de forma oportuna em temas que exigem atenção e um bom desenvolvimento.

Lara (Kristín Þóra Haraldsdóttir) e Adja (Babetida Sadjo) são mães solteiras e a representação delas no filme é um dos pontos relevantes da história, onde conseguiram transpassar para o expectador o quanto é necessários fazer escolhas decidias e totalmente arriscadas quando está cuidando de filho(a) sem nenhuma companhia, ou quando lutam – mesmo de forma ilegal – para garantir uma vida de qualidade para o seu pequeno. Sem muito exagero essa representação acaba ganhando destaque e firmando ainda mais os problemas sociais presentes em Inspire, Expire.

Empatia e solidariedade são duas palavras que conseguem resumir todo o filme, onde somos capazes de perceber que pequenos gestos podem colocar a vida de qualquer pessoa em risco, mas também, salvá-la. Diversos outros assuntos são tratados neste longa-metragem, mesmo de forma sutil e sem muita atenção, como a imigração e o racismo, que são problemas poucos explorados, porém presentes.

A produção do filme é muito razoável, o longa acaba não contendo muitas novidades, mas também não é desestabilizado em quesitos de fotografia, efeito sonoros, roteiro e atuação. As cenas acabam se mantendo de forma calma e sem momentos muito entediantes, o que estabelece uma linha de equilíbrio estável, no caso na produção em geral.

Inspire, Expire é um filme capaz de tocar no coração das pessoas mais sensíveis e despertar um interesse social de outras. Com cenas onde a reflexão é uma das mais fortes comunicação, o título consegue nos cativar aos poucos, principalmente quando percebemos o quão grave é a situação das protagonistas.

Nossa nota é:

Assista ao trailer;

Comentários