CRÍTICA – Ilha de Cachorros
26 abr

CRÍTICA – Ilha de Cachorros

Filmes

Julia Giarola

Filme: Ilha de Cachorros
Título original: Isle Of Dogs
Data de lançamento: 19 de julho de 2018 
Duração: 1h 41min
Direção: Wes Anderson
Gênero: Animação, Aventura
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Atari Kobayashi é um garoto japonês de 12 anos de idade. Ele mora na cidade de Megasaki, sob tutela do corrupto prefeito Kobayashi. O político aprova uma nova lei que proíbe os cachorros de morarem no local, fazendo com que todos os animais sejam enviados a uma ilha vizinha repleta de lixo. Mas o pequeno Atari não aceita se separar do cachorro Spots. Ele convoca os amigos, rouba um jato em miniatura em parte em busca de seu fiel amigo. A aventura vai transformar completamente a vida da cidade.

Wes Anderson já se tornou seu próprio gênero e assim como a maioria das pessoas têm seus gêneros de cinema favoritos, muitas também podem não gostar da peculiaridade e humor do diretor. Apresentando histórias diferentes e personagens cativantes, Anderson conquistou seu espaço na sétima arte com seu extremamente específico “cinema do autor”, coletando uma legião de fãs que acompanham ansiosamente seu trabalho. Entre esses, se encontram muitos críticos que também adoram o trabalho de Wes, que vai além do excêntrico para explorar aspectos mais íntimos dos relacionamentos representados em seus filmes. Agora com sua segunda animação stop motion (a primeira sendo O Fantástico Sr. Raposo), Wes Anderson aperfeiçoa ainda mais seu estilo e a própria técnica para entregar um produto final divertido, engraçado e charmoso – mais uma vez.

Voltando com todas suas marcas assinadas como a centralização e simetria de suas cenas, personagens excêntricos e diálogos minimalistas, Wes Anderson prova mais uma vez para aqueles que seguem seu trabalho que este é um estilo único e que não cansa. Apoiando sua história mais uma vez em um elenco de atores incríveis que emprestaram suas vozes para o filme, Ilha de Cachorros apresenta uma não-linearidade na trama, podendo ser considerada até instável, mas que ainda tem uma estrutura envolvente, dinâmica e coesa. O diretor conta a história visualmente, intensificando o diálogo típico de seus filmes, explorando as diferentes interações entre o ótimo grupo de personagens que tem a sua disposição.

Com certeza, uma das maiores qualidades de Ilha de Cachorros é sua incrível animação. Aperfeiçoando a técnica que combina tão bem com seu estilo, os movimentos, os personagens e a construção dos cenários são hipnotizantes a ponto de ser quase impossível desgrudar os olhos da tela por medo de perder algum detalhe. Cada pedaço da tela está coberto por um mundo só do filme, emergindo o público em um novo ritmo: o ritmo de Wes Anderson. A trilha sonora também – mais uma vez – é extremamente charmosa e melancólica, transmitindo a sensação alegre/triste explorada na maioria das obras do diretor. Em destaque a música “I Won’t Hurt You” de The West Coast Pop Art Experimental Band como uma presença notável durante o filme.

Um ponto negativo do longa é a falta de uma conexão emocional com o personagem de Kobayashi.  A barreira da linguagem juntamente com a decisão de não ter legendas traduzindo os personagens que falavam outras línguas criou uma distância marcada pelos tradutores dentro do próprio filme. Nós sentimos uma ligação com os cães que realmente são os personagens principais. Porém, Kobayashi também representa uma parte essencial de Ilha de Cachorros e esse distanciamento prejudicou um pouco durante sua jornada emocional.

A peculiaridade do diretor é extremamente cativante mais uma vez nesta nova animação. Com um humor afiado, Ilha de Cachorros é um filme divertido e que irá agradar todos os fãs do estilo único do cineasta. Assim como suas outras produções, existe um nicho a ser criado em volta de seu trabalho, algo que já é estabelecido logo após o primeiro contato com um de seus filmes. Esta animação não é diferente, podendo não agradar um público geral. Mas este longa não procura fazer isso, já que apela diretamente para seu público alvo: os fãs de Wes Anderson.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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