CRÍTICA – Desobediência
26 maio

CRÍTICA – Desobediência

Filmes

Julia Giarola

Filme: Desobediência
Título original: Disobedience
Data de lançamento: 21 de junho de 2018 
Duração: 1h 54min
Direção: Sebastián Lelio
Gênero: Drama, Romance
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Ronit (Rachel Weisz) precisa voltar para sua cidade natal após a morte de seu pai distante – um rabino. Mas ela causa um rebuliço no pacato local ao recordar uma paixão proibida pela melhor amiga de infância, que atualmente é casada com seu primo.

Utilizar gêneros como ferramentas de desenvolvimento dentro de umahistória não é uma tarefa simples. Traçando uma correlação entre o romance e os temas sublinhados, este novo drama honra as origens do cinema de baixo orçamento para experimentar com essa noção. Contando uma história simples que alterna suas protagonistas, Desobediência conta com as presenças marcantes de Rachel Weisz e Rachel McAdams para carregar conceitos complexos e interessantes que fazem do filme uma ótima experiência.

Apoiando-se em um roteiro relativamente simples, Desobediência não desperdiça sua história, deixando a complexidade do filme se desenrolar naturalmente, assim como o relacionamento criado entra as duas protagonistas. Além de explorar temas interessantes sobre escolhas e liberdade – algo que iremos discutir mais adiante – o longa aborda alguns sub-temas que ajudam dar um peso ainda maior à trajetória de Ronit e Esti. Logo no começo, o filme mostra o contraste entre o mundo em que Ronit vive e o que ela deixou para trás. Sendo inserida, então em um ambiente tradicional, a personagem de Rachel Weisz é forçada em lidar com aspectos inacabados de sua juventude. Assim, a protagonista tenta se reinserir nesta pressão da tradição, mas ainda  tentando conservar sua ética liberal.

Agora, com passado de Ronit bem estabelecido, o filme inicia sua exploração nos temas mais sutis da história. Um dos aspectos mais interessantes do longa é como este utiliza o romance como motivador da mudança, tanto para a direção da história, como para o desenvolvimento e então evolução dos personagens. Desobediência não é puramente um filme de romance, em vez disso, um drama que utiliza o romance como combustível e motivação para o desenrolar do enredo. Um exemplo que ilustra bem este aspecto, é o arco emocional da personagem de Rachel McAdams. Beneficiando das excelentes atuações de ambas McAdams e Weisz, Esti se mostra mais do que aparenta inicialmente, explorando os afins de seu relacionamento com Ronit em relação à suas motivações.

A dinâmica entre as duas personagens é intrigante, quase representando – simbolicamente – duas partes de uma mesma pessoa. Enquanto Ronit é a parte que saiu de sua casa e de sua comunidade, Esti é a parte que ficou. Com este conceito, Desobediência consegue levantar uma discussão interessante sobre o que é mais difícil: ficar e se submeter as regras e ao passado; ou ir embora e mudar sua vida, deixando tudo para trás? O filme não nos oferece uma resposta, mas cria um diálogo muito interessante sobre este aspecto da liberdade e o poder das escolhas. Como um tema central que abre e fecha o longa, o relacionamento orgânico entre as personagens é uma plataforma para esta questão.

Rachel Weisz e Rachel McAdams realmente dão seu melhor neste filme, tanto que, são suas atuações que conseguem elevar estes temas profundos abordados durante a história simples. Sem estabelecer antagonistas, Desobediência estabelece a complexidade da sociedade como o real obstáculo, onde as diferentes culturas se chocam e causam barreiras entre as pessoas. O relacionamento entre Ronit e Esti pode ser caracterizado assim, destacando ainda o tema que explora o equilíbrio entre o desejo, o instinto e o puro livre arbítrio. Se tiver uma chance, não deixe de conferir este novo drama!

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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