CRÍTICA – Boneco de Neve
27 nov

CRÍTICA – Boneco de Neve

Filmes

Julia Giarola

Filme: Boneco de Neve
Título original: The Snowman
Data de lançamento: 23 de novembro de 2017
Duração: 1h 59min
Direção: Tomas Alfredson
Gênero: Suspense, Policial
Nacionalidade: Reino Unido, EUA, Suécia
Sinopse: Oslo, Noruega. Harry Hole é um policial reconhecido pelos casos resolvidos no passado, mas que sofre com problemas de alcoolismo. Após encontrar por acaso com a agente novata Katrine Braft, ele passa a investigar o desaparecimento de uma série de mulheres. A peculiaridade é que o responsável enviou ao próprio Harry um cartão enigmático, com a imagem de um boneco de neve, que está sempre presente nos locais onde as vítimas são atacadas.

Muitos filmes ultimamente vêm escondendo por trás da qualidade técnica, conduzindo grandes produções ao abismo sem substância. Por mais que aspectos técnicos como fotografia e trilha-sonora sejam importantes, estes só irão fazer efeito quando o restante do longa for igualmente satisfatório. Boneco de Neve é simplesmente isso: uma catástrofe maravilhosa. Com imagens bonitas e boas atuações, esta é apenas outra adaptação preguiçosa que não trabalha pela atenção da audiência.

Um aspecto que sempre é importante durante um filme, principalmente de suspense é envolver o público em sua história e seus personagens. Boneco de Neve não faz isso hora alguma. Sem ritmo e sem cuidado algum com o material de origem, o filme parece deixar de fora todos os acontecimentos importantes do livro e manter apenas o que deveria ser cortado de uma adaptação. Os elementos da investigação não prendem a atenção da audiência que, sinceramente perde interesse nos primeiros minutos.

Michael FassbenderRebecca Ferguson são dois ótimos atores que não puderam fazer nada para essa bagunça de filme. Escondendo atrás das atuações e fotografia bem feita, esta trama deixa todos de fora, tanto da investigação, quanto emocionalmente. A falta de cuidado ao representar os personagens resultou na completa ausência de desenvolvimento, expondo um protagonista que não é carismático ou se quer compreendido por quem está assistindo. A presença de J. K. Simmons é totalmente aleatória e distrativa graças à seu sotaque e o fato de apenas aparecer em poucas cenas.

A violência em si parece ter sido filmada e deixada de fora, afim de diminuir a classificação indicativa do longa, pesando muito na edição. Com a ausência de tensão, esperamos ao menos cenas de ação emocionantes para esquentar o filme, mas nem isso ganhamos fazendo Boneco de Neve tedioso do começo ao fim. O peso emocional que eles tentaram trazer também não funciona, já que não ousam ultrapassar barreiras, deixando todos os relacionamentos unidimensionais e sem graça. O atrativo apenas não existe.

As vezes a investigação começa a ficar um pouco interessante, porém o filme faz questão de cortar para flashbacks deslocados, interrompendo imensamente o ritmo da trama. Com certeza, nenhum desses elementos estavam faltando tanto no livro que originou esta adaptação. O erros óbvios e gritantes do longa são um incrível desserviço ao público que espera nada menos que um filme razoável saído do best seller, mas que ganha quase duas horas de  uma enrolação bem filmada.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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