CRÍTICA – Assassinato no Expresso do Oriente
23 nov

CRÍTICA – Assassinato no Expresso do Oriente

Filmes

Julia Giarola

Filme: Assassinato no Expresso do Oriente
Título original: Murder on the Orient Express
Data de lançamento: 30 de novembro de 2017
Duração: 1h 54min
Direção: Kenneth Branagh
Gênero: Suspense, Policial
Nacionalidade: EUA
Sinopse: Várias pessoas estão fazendo uma viagem longa em um luxuoso trem. A paz, entretanto, é perturbada por um acontecimento sinistro: um terrível assassinato. À bordo da composição está ninguém menos que o mundialmente reconhecido detetive Hercule Poirot que se voluntaria para iniciar uma varredura no local, ouvindo testemunhas e possíveis suspeitos para descobrir o que de fato aconteceu.

Mediocridade se tornou um problema no cinema, onde a quantidade de filmes lançados todo ano nos fizeram contentar com o regular, o medíocre. Se dá dinheiro, Hollywood compra, produz e reproduz até saturar a indústria com projetos que não acrescentam nada ao público que está em busca de conteúdos originais. O remake é uma forma de aprimorar uma ideia, um conceito que pode não ter sido bem executado da primeira vez, porém, no caso de Assassinato no Expresso do Oriente, a refilmagem provou ser apenas um meio de tirar dinheiro dessa audiência que se acostumou tanto com o ordinário, já que a versão de 1974 é muito bem executada.

Sem muitas falhas gritantes, mas também sem muitas qualidades memoráveis, Assassinato no Expresso do Oriente é um filme muito bonito, porém incrivelmente tedioso. Com um clima otimista de filmes de natal e trilha sonora bem feita, os primeiros minutos não falham ao promover a sensação de aventura que poderia o classificar como atemporal. Porém, com introduções desiguais quando se trata de qualidade e eficiência, os personagens se tornam distantes, até mesmo o protagonista, deixando nós, a audiência, por fora do desenrolar do mistério, que é o principal propósito da trama, apresentando um roteiro que realmente não combina com o público alvo que a direção escolhe apelar.


O charme da direção peculiar de Kenneth Branagh faz com que o filme seja maravilhoso visualmente, as vezes enganando a real qualidade dessa adaptação que não passa de um filme esquecível. Porém, as qualidades técnicas não são o bastante para prender a atenção do público que logo perde o interesse pelo enredo. Ao tentar criar uma dinâmica como a do clássico Os 7 Suspeitos de 1985, Assassinato no Expresso do Oriente esquece de engajar o desenvolvimento da investigação do detetive Hercule Poirot, o que é uma pena.

Como é de se esperar, todas as atuações do elenco estrela são muito boas, especialmente Johnny Depp, que quebra seu esteriótipo de personagens excêntricos (assim como ele fez em Aliança do Crime). Os atores conseguem segurar bem alguns pontos da trama, fazendo o máximo com o material que lhes são entregues. Porém nenhuma interpretação é capaz de trazer o foco de volta para o filme.

Os flashbacks forçados não se encaixam bem no longa, trazendo ainda mais peso para esses momentos anticlimáticos. Outro pecado do filme é a má execução do terceiro ato que tem a responsabilidade de revelar a reviravolta criada por Agatha Christie. Mesmo com o equilíbrio entre qualidades e defeitos, este não é um filme que deixa impressão, sendo facilmente esquecido após a sessão de cinema. Nossa dica é, se tiver interesse em conhecer esta história, confiram a adaptação de 1974 ou o livro, pois o lançamento de 2017 provavelmente não irá te impressionar.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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