CRÍTICA – A Morte Te Dá Parabéns
25 out

CRÍTICA – A Morte Te Dá Parabéns

Filmes

Julia Giarola

Filme: A Morte Te Dá Parabéns
Título original: Happy Death Day
Data de lançamento: 12 de outubro de 2017
Duração: 1h 36min
Direção: Christopher Landon
Gênero: Suspense, Terror
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Tree é uma jovem estudante que trata mal os meninos, desdenha das amigas e não parece estar muito disposta a atender as ligações do pai no dia do aniversário dela. No fim do mesmo dia, no entanto, ela é brutalmente assassinada por um mascarado. Acontece que ela “sobrevive”, ou melhor, acorda no mesmo e fatídico dia, numa espécie de looping macabro, que termina sempre com a morte da garota. Repetir, seguidamente, o mesmo dia, por outro lado, dá a Tree a chance de investigar quem a está querendo morta e o porquê.

Todo bom filme apresenta uma estrutura não apenas coerente, mas também consistente tentando igualar a qualidade dos três principais atos. Após alguns anos insistindo em produzir apenas um tipo de filme de terror, parece que agora muitos acham que para preencher os critérios do gênero basta apenas seguir todos os clichês estabelecidos por essas produções. A persistência em sustos se tornou mais importante que o conteúdo e qualidade da história, o que é uma pena já que o terror não se restringe à isso. Então, quando a estrutura do roteiro é deixada de lado, o que resta é a direção para salvar o que resta do filme, impedindo de ser um completo desastre. Infelizmente A Morte Te Dá Parabéns não têm nem isso a seu favor, já que a direção é tão culpada pelo caos do filme quanto seu roteiro.

O filme começa de certa maneira familiar, cumprindo todos os deveres de um filme de terror clichê, porém agradável. Os primeiros 20 minutos tem seus problemas, mas faz parecer que a trama está indo em uma direção interessante. Porém depois disso perde totalmente qualquer charme que prometeu antes e se transforma em um bagunça sem graça. Derivando de uma ideia intrigante de Feitiço do Tempo (1993), A Morte Te Dá Parabéns não se esforça para diferenciar sua trama de maneira significante, deixando todos os acontecimentos sem significado e objetivo. A falta de um sub-enredo mais simbólico arrasta a história para o cansativo depois do primeiro ato.

A parte ligeiramente agradável deste longa é quando a protagonista tem que tentar descobrir o que está acontecendo, porém isso acaba rápido devido uma grotesca mudança de gênero. De repente o filme decide ficar engraçado desconectando-se totalmente de sua trama. Esta mudança não tem nenhuma transição e por isso não funciona da maneira que planejavam. Em vez disso o humor se torna esquisito e fora de lugar. Algumas ações “malucas” e impulsivas não têm nenhum embasamento, além da tentativa de risadas barata.

Assim como a maioria desse específico tipo de terror, a protagonista imediatamente aparenta antipática algo que provavelmente foi de propósito. Porém, não souberam ponderar essa característica, impedindo com que o público se importe com ela. Juntamente aos clichês, essa situação retira o elemento “suspense” do filme, uma ausência que se provou cansativa depois do 20 primeiros minutos. O maior problema de A Morte Te Dá Parabéns é que todos esses error seriam fáceis de serem reparados. A adição de cenas mais violentas talvez acrescentaria um pouco da tensão que a trama precisa.

A falta de estilo próprio, porém, faz com que a trama seja um pouco tediosa e as vezes até desconfortável, graças às decisões estranhas do diretor que além de falhar em construir o suspense, também falha nas atuações. A atriz principal parece atender pedidos específicos do diretor, que tenta criar algo que não cabe no filme. A atuação forçada em certas partes não acrescenta nada à história a não ser o desconforto de quem está assistindo. E nem isso é consistente, já que começa bem, mas apenas piora ao decorrer da trama.

E finalmente chegamos ao roteiro que, além de ser mal estruturado, não tem respeito pela audiência que foi assistir a um gênero específico. A manipulação óbvia de situações chaves para a conclusão da trama não é nada sutil e parece subestimar todos que estão assistindo. Além disso há um grande furo no roteiro que quebra as regras do universo criado. Quando se resume tudo, o filme simplesmente não possui motivação, tanto dentro quanto fora da trama, o que é uma pena para o gênero que, esse ano, quebrou tantas barreiras.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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