CRÍTICA – A Forma da Água
22 jan

CRÍTICA – A Forma da Água

Filmes

Julia Giarola

Filme: A Forma da Água
Título original: The Shape of Water
Data de lançamento: 1 de fevereiro de 2018
Duração: 2h 03min
Direção: Guillermo Del Toro
Gênero: Fantasia, Drama, Romance
Nacionalidade: EUA

Sinopse: Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

Originalidade sempre é um muito bem-vinda em qualquer área da arte, porém esta não se restringe apenas em ideias, mas também pontos de vista, onde mostramos como olhamos para as coisas e como somos diferentes. Expondo novas perspectivas, o cinema, assim como a arte em geral, conseguiu transcender a compreensão, expressando a beleza do que é diferente de nós. Construindo um conto de fadas sombrio, o mestre da fantasia, Guillermo Del Toro, conta uma história simples, mas com uma nova visão. Misturando a magia dos elementos fantásticos e a beleza da conexão entre as pessoas, A Forma da Água se prova um dos filmes mais honestos e bonitos do ano.

O filme se passa na década de 60, utilizando o terror da Guerra Fria como um plano de fundo que estabelece bem o clima sombrio típico de Del Toro. Assim como em O Labirinto do Fauno (2006), a história se passa nos olhos de uma personagem inocente que não está necessariamente emergida neste contexto político. Porém a trama depende desta contextualidade, tirando proveito não apenas uma subtrama envolvente, mas também a sensação do produto de época, destacando principalmente a corrida por superioridade, onde nenhum dos opostos estabelecem limites para poder.

Assim como todo conto de fadas, A Forma da Água conta com a presença de personagens chaves para determinados pontos da trama. Porém, o que faz do filme extremamente maduro e sofisticado é atenção na vida desses personagens, levando o filme até eles e suas vidas, em vez de trazê-los para o filme apenas com propósitos. Essa escolha de desenvolver bem as personalidade presentes na história pode parecer simples, mas é muito importante para o produto final, deixando de ser apenas uma fantasia, agora que é um drama/romance muito mais complexo.

Após desenvolver bem os personagens do filme, falta encontrar atores que irão satisfazer essa demandas e é exatamente isso que é um dos destaques do longa. A Forma da Água conta com a presença de um elenco impecável e muito bem escalado. Liderado por Sally Hawkins, a atriz desaparece mais uma vez em sua atuação, expondo vulnerabilidade e determinação com muita sutileza. O fato de sua personagem ser muda não a impediu de se comunicar com a audiência já que Hawkins conversa com os olhos. Richard JenkinsOctavia Spencer e Michael Shannon também complementam muito bem o filme, balanceando bem o antagonismo e os conflitos, sem falar na incrível fisicalidade de Doug Jones, que consegue ser uma presença forte mesmo sem falas. Ele carrega um peso enorme, pois a história não funciona sem seu carisma e sua conexão com a protagonista.

Aspectos técnicos, como já é de se esperar em qualquer filme de Del Toro, estão impecáveis. O visual combinando tanto com o romance e com o drama da trama também conta uma história, destacando a incrível fotografia que utiliza os diferentes tons de azul de forma poética, e a maravilhosa trilha sonora que eleva o surrealismo do ambiente. A direção de Del Toro é um feito, podendo até levar (muito merecidamente) o Oscar de Melhor Diretor esse ano. Sua visão delicada não apenas sobre as belas imagens, mas também sobre as atuações, merece ser reconhecidas, já que este fez com que todos se apaixonassem por histórias de monstros novamente.

Nossa nota é:

Assista ao trailer:

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