Por que filmes de animação não são só para crianças?
05 ago

Por que filmes de animação não são só para crianças?

Coluna

Julia Giarola

Esta semana surgiu muita polêmica envolvendo a animação lançada em 2016, Festa da Salsicha que deixou muitos adultos revoltados devido o conteúdo gráfico e maduro do filme. Contando a história de alimentos que vivem dentro de um supermercado pensando que as pessoas são deuses, este longa utiliza a animação de maneira irônica para abordar assuntos delicados como sexo e religião. Desta forma, a equipe criativa responsável pela criação deste projeto apresentou um conteúdo chocante envolvendo os temas de maneira a revoltar muitos pais que alegam não ser apropriados para as crianças. O filme, porém, recebeu desde o começo uma classificação indicativa para maiores de 16 anos, pendendo a pergunta: filmes de animação devem ser feitos somente para crianças?

Desde o primeiro longa-metragem da Pixar, Toy Story (1995), a indústria vem produzindo cada vez mais filmes com uma audiência maior como alvo. A própria Pixar construiu seu nome em cima de seus filmes que apresentam conteúdos mais complexos que outros filmes de animação. Filmes como WALL·E (2008) e Up – Altas Aventuras (2009), assim como a maioria dos filmes do estúdio, realmente encantam tanto as crianças quanto os adultos, devido seu posicionamento em relação à temas emocionalmente mais maduros. Com isso em mente podemos perceber a utilização da animação como um recurso para contar a melhor história possível e é nisso que o cinema deve ser baseado.

Assim como muitos estúdios utilizam efeitos especiais para desenvolverem seus filme, alguns cineastas utilizam a própria animação como características de seus enredos, explorando aspectos mais íntimos da história junto a seu significado. O melhor exemplo disso é o filme de Charlie Kaufman, Anomalisa (2015), que também não é uma animação direcionada para crianças. Abordando um tema interessante, porém sombrio, o diretor e roteirista utiliza o recurso stop-motion para contar a história de Michael Stone, um palestrante motivacional que acaba de chegar à cidade de Connecticut. Lá, ele conhece Lisa, que transforma a sua vida. A trama é relativamente simples, porém, graças à maneira que Kaufman decide contar sua história, esta atinge um contexto imensamente mais amplo com assuntos tais como personalidade, timidez, conexão, entre outros temas que não seriam possíveis serem alcançados se não fosse pela animação.

É responsabilidade dos estúdios designarem uma classificação indicativa adequada à seus filmes, não apenas de animação, mas em um contexto geral. Porém é muito difícil encontrar uma classificação errônea em relação a filmes com conteúdos tão maduros. Fica então responsabilidade dos pais ou responsáveis se informarem sobre os filmes antes de apresentá-los para crianças, para que não ocorra um mal entendido como com Festa da Salsicha, um filme promovido desde o começo como para maiores de 16 anos.

As técnicas evoluem para contar as melhores as histórias. Nem todo filme de animação é para as crianças, assim como nem todo filme live action é exclusivamente para os adultos. Está na hora do público evoluir junto a arte que está sendo criada por estes cineastas que tomam risco para criar algo maravilhoso, para que possamos todos apreciar o que eles tem para oferecer.

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