Original X Remake
26 maio

Original X Remake

Coluna

Julia Giarola

Hollywood sem dúvida nenhuma vem passando por uma séria escassez de ideias para seus novos projetos e é por isso que nos últimos anos podemos observar o aumento significante de sequênciasremakes, rebbots, spin-off, e qualquer outros derivados de concepções originais mais antigas.

Ultimamente, com a enorme evolução da televisão, os estúdios agora também têm que competir com o alto nível de qualidade de novas séries que, além de conseguirem público, também estão inovando a área cada dia mais, algo que o cinema vem apresentando grande dificuldade. Plataformas como a Netflix estão tomando conta de uma audiência que anteriormente pertencia aos blockbusters e até mesmo filmes menores, pois apresentam um conforto e variedade de conteúdo. Desta maneira, os grandes estúdios de Hollywood estão todos desesperadamente em busca de novos projetos, por mais óbvios e desnecessários sejam.

Estamos agora presenciando a era dos rebootsspin-offs, mas a onda de remakes nos precede. No final dos anos 90, já podemos perceber que ideias originais começaram a cair gradualmente e daí surgiu a “necessidade” dos estúdios em refilmar sucessos antigos com o lucro como o único propósito. Remakes, porém não apresentam esse propósito. Estes são uma opção para reimaginar bons conceitos que não foram bem executados, ou ao menos têm mais a ser explorado do que o original pôde oferecer.

Muitos filmes exploram este recurso aproveitando boas ideias e melhorando sua execução, o que normalmente resulta em ótimos filmes tais como O Enigma de Outro Mundo (1982), Scarface (1983), Onze Homens e um Segredo (2001) e Os Infiltrados (2006). Porém, atualmente este recurso está sendo mais que abusado, ignorando completamente seu objetivo e o corrompendo com o capitalismo.

Com isso em mente, abaixo seguem alguns exemplos de remakes e os diferentes cenários que eles são utilizados, sejam eles ambição dos estúdios, enormes equívocos ou até mesmo triunfos. Confira:

Robocop (1987) x Robocop (2014)

O primeiro exemplo demonstra como singular propósito o lucro. O original de 1987 é um clássico e por boas razões. A ideia interessante e muito bem executada consegue conquistar os públicos de diversas idades, além de conseguir explorar conceitos intrigantes sobre a evolução da tecnologia, o que realmente realçava na época. O remake de 2014 não conseguiu chegar perto dos objetivos ambiciosos do original. Ao invés disso se entregou aos clichês seguros e falta de dimensão em sua história, além de atualmente apresentar a compreensão massante envolvendo a tecnologia. Os efeitos especias se tornam uma distração para muitos estúdios que no processo esquecem que ainda queremos ver histórias complexas e bem desenvolvidas, como foi o caso no original!

A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971) x A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)

Este agora representa um dos maiores equívocos imagináveis. O filme de 1971 representa tudo de bom da época em que foi feito: charme, diversão e nostalgia. Gene Wilder exala carisma como Willy Wonka, as músicas são contagiantes, a trilha sonora é simplesmente perfeita e a história extremamente bem executada. Sem motivos nenhum as refilmagens foram aprovadas e eles entregaram está propriedade para Tim Burton, um ótimo diretor, mas que não soube o que fazer do remake. O diretor que possui características autorais tão marcantes em todos os seus projetos, não pôde evitar de aplicá-las neste desastre de filme. Johnny Depp que geralmente se destaca em seus papéis, simplesmente desmorona como Willy Wonka com sua atuação irritante e incorretamente extravagante. Tudo neste filme de 2005 está fora do lugar, além de tomar o território do original no mapa, graças a grande divulgação por parte dos estúdios. Todos devem assistir o filme de 1971 e conhecerem o que realmente é A Fantástica Fábrica de Chocolate!

Poltergeist – O Fenômeno (1982) x Poltergeist – O Fenômeno (2015)

Este é simplesmente o filme que ninguém pediu. Um dos piores filmes de 2015, este remake é definitivamente desnecessário. O que faz do original um clássico é sua história original e inesperada. O filme de 1982 lida corretamente com todos os elementos de sua trama, sendo um dos melhores filmes de suspense/terror da história. A concepção do enredo, porém, é batida e já foi muito utilizada depois de seu lançamento. O remake trás de volta está história sem nada a acrescentar, a não ser péssima direção e atuações do elenco. O filme de 2015 tenta modificar alguns pontos em sua nova trama, mas falha miseravelmente. É um filme insuportável e realmente um insulto para o intemporal clássico dos anos 80.

O Juiz Dredd (1995) x Dredd (2012)

E então finalmente um exemplo de quando deve ser feito um remake. O filme de 1995 tenta trazer o personagem dos quadrinhos para a telona, mas não soube estabelecer o tom correto para a história. Em vez disso, o filme estrelado por Sylvester Stallone foi mal executado e ruim. Sabendo do potencial do material de origem, a ocasião para ser feita a refilmagem estava 100% correta. Apresentando um personagem interessante que não foi bem representado no original, o remake eleva este universo. Com um estilo próprio que captura a essência tanto do ambiente quanto do personagem, Dredd é um filme muito bem executado que faz jus aos quadrinhos. A utilização de cenas em slow motion e demonstração gráfica de violência traz algo novo para a história. Esse é um dos raros casos onde o remake é sim melhor que o original!

Em meio de muitos outros exemplos, podemos ter uma ideia clara que temos muito menos remakes servindo seu verdadeiro propósito do que o lucrativo. É por isso que a televisão está se tornando mais popular que o cinema neste momento, este que não está abrindo portas para inovação tanto quanto as séries e até mesmo os filmes independentes.

Ideias exaustivas estão por todas as partes, mas também as originais. Só basta olhar ao nosso redor e oferecer oportunidades para os conceitos ousados e ambiciosos que lutam para serem levados a sério. Covardia, esse sim é o maior problema de Hollywood!

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