Ler não é chato e pode ser importante na decisão do seu voto
08 out

Ler não é chato e pode ser importante na decisão do seu voto

Coluna

Victor Tadeu

O Brasil é um país que carrega um número preocupante de leitores, 44% da sociedade brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro, segundo pesquisa realizada em 2016, disponível no Estadão. Apesar desses números serem preocupantes existem fatores que justificam essa barreira no incentivo a literatura e elas devem ser estudadas para serem desenvolvidas metodologias com resultados mais agradáveis.

Ler é importante, e apesar de sempre ouvirmos que é algo chato, não é chato. Crescemos conhecendo que a literatura é algo sem graça de fazer por ser parado, infelizmente essa é uma questão cultural e/ou social que pode ser uma das maiores causas no impedimento de crianças e/ou qualquer outra pessoa ter uma afinidade com livro, seja a história de qualquer gênero.

É necessário acabar com essa visão distorcida da literatura, pois a mesma pode ser importante em vários momentos da sua vida, inclusive quando se trata de escolher um político para representar o país, que no momento está sendo uma das grandes questões no Brasil. E hoje, iremos te contar como a leitura de livros pode ser bastante fluente na sua escolha de voto e também na sua convivência social.

Não é muito notório para algumas pessoas, mas crescemos e vivemos em uma bolha social que priva-nos de conhecer o oposto daquilo que acreditamos ser melhor, ou seja, consequentemente procuramos viver próximo daquilo que nos conforta, o que não é uma opção ruim. Porém, precisamos sair um pouco dessa bolha para termos uma visão melhor de toda a situação que estamos enfrentando e/ou o próximo está passando.

A literatura não é a única, mas é uma das melhores formas de conhecer a vida de outras pessoas, sejam essas pessoas reais ou fictícias. Acompanhar a vivência, dificuldades, prazeres, individualidades e conquistas dos outros é um jeito bastante eficaz de sair da nossa zona de conforto e ter uma visão mais concretizada de que não somos iguais e na hora de escolher o voto é necessário pensar e repensar quem estará nos representando e representando aqueles que tem personalidades e/ou condições divergentes das nossas.

Além das personalidades, a leitura de livros também pode ser uma excelente opção para conhecer de forma indireta ou direta, um fato histórico que não temos muito interesse em conhecer de forma didática. Como a escritora Esther Lya costuma fazer em suas obras, em A Marcha dos Javalis a autora traz um cenário distópico ditado por um major, na qual, os personagens tentam melhorar a situação de governo em Varke, a cidade da história. Mesmo sendo algo fictício, carrega inspirações reais e conseguimos ter uma visão, seja ela pequena ou grande, de um fator histórico bastante conhecido e semelhante já ocorrido no mundo.

Também não podemos esquecer que Esther Lya é autora de É Proibido Sorrir, onde acompanhamos um cenário bastante machista, na qual as mulheres não podem sorrir para os homens e são vendidas como mercadorias. Caso as mesmas descumprem a lei, suas bocas são costuradas, como forma de punição. Essa também é uma forma de ter mais ciência de movimentos sociais e os motivos pelos quais eles lutam, retornando a dizer, sejam essas histórias fictícias ou não, sempre tem embasamento de passagens reais.

Correndo um pouco da possível ficção, podemos falar sobre O Meu Melhor Amigo é Gay, de Dielson Vilela publicado pela Editora Coerência. Essa é uma obra com temática LGBTQ+ que crimes são cometidos contra minorias, sendo que, todos os crimes citados na história fictícia, são reais e não foge da realidade de um membro da comunidade. É notório como a leitura pode ser um caminho para agregarmos conhecimento social, cultural, pessoal, sentimental e até mesmo político, é necessário o hábito de ler para nossa mente se expandir quando se trata de representante.

Caso você não goste de histórias que retratam de forma tão explícita a realidade de minorias ou com cenário histórico, você tem diversas outras opções de livros para ler, existem diversos e de inúmeros gêneros para ser agradável em sua experiência. Existem fantasias, romance policial, ficção científica, distopias e outros que podem ser muito legal para você, é tudo questão de deixar a cultura de “ler é chato” de lado e dar uma oportunidade para si mesmo, além disso, diminuir o ego também pode ser bastante funcional em sua nova experiência com livros.

Então vamos fazer um combinado? A partir de hoje pegue um livro que seja do seu interesse e tente ler o máximo que conseguir, caso não tenha uma noção de qual fazer a leitura, deixe um comentário explicando qual tipo de história você gosta de acompanhar, inspire-se nos filmes e séries que já assistiu e gostou, tentarei realizar indicações para vocês.

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