HQ ou Graphic Novel?
08 out

HQ ou Graphic Novel?

Coluna

Julia Giarola

A cultura geek vem crescendo consideravelmente aqui no Brasil, muito graças à constante e abrangente presença de filmes e universos cinematográficos envolvendo super-heróis. O alto investimento dos estúdios permitem que a divulgação seja dominante tanto nas mídias sociais quanto no próprio mundo nerd que agora, para o bem ou para o mal, se tornou moda. Esta forte presença significa maior atenção voltada ao que nós, os fãs antigos e também aos novos, amamos, introduzindo um grande público ao nosso mundo. O cinema é sim o mais popular dos meios, mas o interesse vem expandindo, batendo na porta agora dos quadrinhos. Porém há ainda muitas dúvidas em relação a este assunto que é mais complexo que muitos pensam. Dividindo-se principalmente entra HQsGraphic Novels, identificar a diferença entre as duas é importante, então, visando nosso novo foco, tentaremos explicar.

Começando pelas HQs, estas que são as histórias que você acompanha periodicamente, sendo liberadas de dois em dois dias, uma vez por semana, uma vez por mês ou até mesmo uma em cada dois anos, variando de acordo com as Editoras que são responsáveis por publica-las. Um exemplo é Sandman, uma multipremiada série de histórias em quadrinhos britânica, escrita por Neil Gaiman (autor de Deuses Americanos) e publicada pela Vertigo, uma impressão da DC Comics. Essa HQ acompanha a vida de Sonho, o governante do Sonhar (o mundo dos sonhos) e sua interação com o universo, os homens e outras criaturas. Apresentando uma trama e conteúdo mais maduro, Sandman foi a primeira HQ a entrar na lista dos best-sellers literários do The New York Times.

Outro famoso exemplo é V de Vingança, a série de histórias em quadrinhos escrita por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd. A história se passa em um futuro distópico e pós-apocalíptico de 1997 no Reino Unido, em que um misterioso revolucionário, V, tenta destruir o Estado, através de ações diretas. Também com um conteúdo mais maduro, essa HQ do talentoso Alan Moore já chegou a ser adaptada para o cinema, em um filme lançado em 2005, estrelando Natalie Portman.

Agora, já as Graphic Novels, menos populares entre os novatos na cultura geek, são edições especiais, de certa forma, muitas vezes apresentando capa dura, folhas nobres, e maior número de páginas. Porém estas não são suas principais distinções das HQs, e sim pois, em apenas um volume, ela conta apenas uma história que é logo finalizada, sem exigir que você acompanhe uma série inteira, sendo, assim, independente. Os dois exemplos mais famosos são Batman: A Piada MortalWatchmen, ambas escritas por Alan Moore.

Batman: A Piada Mortal é uma Graphic Novel  que foi publicado pela primeira vez nos EUA pela DC Comics em 1988, e desenvolve sua trama na cidade fictícia de Gotham, apresentando uma história de origem para o famoso Coringa, um super-vilão já bem estabelecido na cultura popular. Este concorda em ajudar um grupo de criminosos e é impedido por Batman antes de ficar desfigurado; como resultado fica louco e abraça a sua nava persona de super-vilão. Criada como a versão de Moore sobre a psicologia e a origem  trágica do personagem, os efeitos da trama na continuidade do Batman inclui ainda o tiroteio e paralisia de Barbara Gordon (também conhecida como Batgirl), um evento que criou um novo tom sombrio que até hoje é explorado pela DC. Esta versão foi adaptada em uma animação lançada em 2016, que não conseguiu representar a complexidade do enredo de Moore.

A outra obra bem reconhecida de Alan Moore nesta categoria é Wacthmen, que, apesar de ser uma série limitada de história em quadrinhos, foi reimpressa mais tarde em brochura, sendo agora classificada como uma Graphic Novel. Esta história é considerada um marco importante na evolução dos quadrinhos nos EUA, introduzindo abordagens e linguagens antes ligadas apenas aos quadrinhos ditos alternativos, além de lidar com uma temática de orientação mais madura e menos superficial, quando comparada às histórias em quadrinhos comerciais publicadas até então. O sucesso com a crítica e com o público ajudou a popularizar o formato pouco conhecido até então, também sendo adaptada para o cinema em um filme live action lançado em 2009.

Hoje as adaptações cinematográficas desses materiais se tornaram comuns, trazendo maior atenção ao formato. Porém, a exploração do conteúdo apenas arranhou a superfície, já que a quantidade de ótimas histórias, tanto HQs quanto Graphic Novels, é imensa. Esperamos que através desta matéria, um novo público se interesse nessas incríveis histórias, aumentando a diversidade não apenas nos quadrinhos, mas também no cinema que poderia usar um pouco da originalidade dessas tramas tão marcantes de distintas.

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