Gillian Anderson – Lutando pela igualdade desde 1993
08 out

Gillian Anderson – Lutando pela igualdade desde 1993

Coluna

Julia Giarola

Em 1993 foi ao ar pela primeira vez Arquivo X, a clássica série que mudou o jogo para o futuro da televisão. O programa de ficção-científica não apenas revolucionou o gênero com seu conteúdo experimental e inovador, mas também representou um grande marco social que até hoje traz influência. Nos introduzindo à Gillian Anderson como a médica e Agente Especial Dana Scully, o mundo estava prestes a presenciar a mudança na representação feminina na cultura pop, transparecendo barreiras até conquistas fora desta.

Trazendo o impacto da personagem forte e independente das telas de TV até o mundo real, surgiu o que ficou conhecido como o Efeito Scully, o fenômeno que representa o aumento perceptível no número de mulheres ingressando em carreiras STEM (Ciência/Tecnologia/Engenharia/Matemática) desde o início da transmissão de Arquivo X no início da década de 1990. A influência de Dana Scully pode ser atribuída ao criador da série e da personagem, Chris Carter, porém foi graças a Gillian Anderson que esta se estabeleceu como um dos maiores ícones feministas de todos os tempos. Inicialmente podemos ver as claras características de ser escrita por roteiristas masculinos o que criou um peso nos primeiros episódios. Mas, durante o desenvolvimento da série, a atriz aclamou cada vez mais domínio sobre a vulnerável, embora forte agente do F.B.I, estabelecendo uma particularidade à estas características estabelecidas pelos escritores que anteriormente pareciam estereotipadas às mulheres, tais como o desejo de ser mãe. 

“Foi uma surpresa para mim, quando me disseram. Recebemos muitas cartas o tempo todo, e fui dita com frequência por garotas que estavam indo ao mundo da medicina ou ao mundo da ciência ou ao mundo do FBI ou a outros mundos que eu reiniciei, que eles estavam perseguindo essas carreiras por causa do personagem de Scully. E eu disse: ‘Yay!’ ” – Gillian Anderson

Dana Scully foi e ainda é vista como um modelo positivo para garotas do mundo inteiro, demonstrando alguém que é capaz de se estabelecer em uma carreira onde mulheres são pouco representadas (corretamente). Utilizando suas habilidades cognitivas e profissionais em vez de usar seus atributos físicos, a personagem redefiniu o conceito de feminilidade, ao mesmo tempo lutando contra esteriótipos.

Mesmo após o final de Arquivo X em 2002, Gillian Anderson continuou sendo uma presença notável na TV, interpretando papéis marcantes como Stella Gibson em The Fall (confira nossa crítica aqui). Na série da BBC, que também está disponível na Netflix, Anderson dá vida a mais um ícone feminista, agora com um tom mais agressivo impregnado em sua personagem o que distanciou muito de seu trabalho em Arquivo X. Diferente de Dana Scully, Stella Gibson é uma personagem extremamente auto consciente, além de representar a sexualidade de uma maneira mais liberal, novamente quebrando esteriótipos. A interpretação da atriz gera a complexidade necessária para carregar a pesada trama que consegue representar não apenas a óbvia misoginia nos crimes do serial killer Paul Spector, mas também os assédios e preconceitos que mulheres enfrentem frequentemente no local de trabalho.

Sem parar em seu trabalho, a atriz traz sua luta pessoal por igualdade se declarando uma feminista e, assim, defendendo os direitos das mulheres, chamando atenção à discrepância de pagamentos entre trabalhadores devido ao gênero e até mesmo esse ano quando iniciou uma campanha nas mídias sociais reivindicando mais roteiristas e diretoras mulheres para a nova temporada do revival de Arquivo X. Anderson também lançou esse ano, juntamente com a autora Jennifer Nadel, o livro We: A Manifesto for Women Everywhere (adquira aqui) que é descrito como um inspirador, atemporal e prático manual para criar mudança na vida das mulheres, não se restringindo apenas ao feminismo.

A carreira da atriz é invejável, estrelando em séries e filmes aclamados pela crítica, aumentando a visibilidade de seu trabalho humanitário assim como sua luta pela igualdade dos gêneros. O talento de Anderson, com certeza ajudou a modelar a representação feminina que estamos presenciando hoje em filmes como Mulher-Maravilha e séries com Scandal e How To Get Away With Murder, todos com protagonistas femininas fortes e distintas que ajudam cada dia mais o importante avanço social na cultura que influencia tanto nossas vidas.

Assista o trailer da próxima temporada de Arquivo X:

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