Crítica – No (2012)
16 abr

Crítica – No (2012)

Coluna, Desafio Cinéfilo

Julia Giarola

Continuando nossa nova parceria com o blog Cinema Depois do Café e com o projeto Desafio Cinéfilo, onde nossa equipe do Desencaixados troca indicações de filmes com Vinicius Liessi do blog, fazendo a crítica dos filmes indicados. A oitava indicação é o filme chileno dirigido por Pablo Larraín, No.

Filme: No
Título original: No
Ano de lançamento: 2012
Duração: 1h 57min
Direção: Pablo Larraín
Gênero: Histórico, Drama
Nacionalidade: Chile, EUA

Sinopse: Chile, 1988. Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional para definir sua continuidade ou não no poder. Acreditando que esta seja uma oportunidade única de pôr fim à ditadura, os líderes do governo resolvem contratar René Saavedra (Gael García Bernal) para coordenar a campanha contra a manutenção de Pinochet. Com poucos recursos e sob a constante observação dos agentes do governo, Saavedra consegue criar uma campanha consistente que ajuda o país a se ver livre da opressão governamental.

Propaganda representa um dos aspectos mais importantes em um contexto político. Seja em eleições, guerras ou ditaduras, o conceito de promover partidos políticos e certas ideologias se entranha na comunidade não integrada na política, manipulando cegamente aqueles que não estão por dentro da realidade ou apenas não se importam. A Segunda Guerra Mundial é um grande exemplo disso, onde o nazismo nasceu a partir de discursos bem formulados que hipnotizaram uma nação inteira. A luta, porém, contra estas propagandas de omissão deve ser travada também por divulgação, um contra ataque na mesma medida. No, o filme chileno lançado em 2012 mostra isso muito bem, explorando as medidas que devem ser tomadas dentro de terríveis situações políticas, lutando contra uma tirania que mente, omite e ofusca a verdade.

Acompanhando René, o filme mostra os dois lados da campanha durante o plebiscito nacional do ditador Augusto Pinochet, destacando os esforços, principalmente, por trás da diligência do voto “não”. Com um olhar criativo sobre a propaganda contra a ditadura, vemos a árdua luta para mostrar mensagens positivas de um país sem as opressões e violência imposta pelo atual governo em vez de ressaltar os horrores para o público. Durante a produção dessa campanha, os membros envolvidos de alguma forma com a divulgação são caçados e ameaçados pela oposição, tudo isso pela perspectiva de nosso protagonista.

Há um conceito interessante explorado pelo filme que faz de tudo para entender este lado da faceta política. Entrando em um território administrativo, com o foco em publicidade, a decisão de expor para a nação uma mensagem positiva sobre uma futura e hipotética situação do país, No mostra muito bem o poder de entender o apelo para um público alvo específico. Enquanto imagens da violenta e atual ditadura iria apelar apenas para aqueles que já estavam decididos em votar “não”, René promove uma nova mensagem, uma mensagem de esperança que iria encorajar aqueles que estavam com medo de votar, ou simplesmente aqueles que não se importavam. Apelando para esse público, a campanha do “não” adiciona novos números, agora capazes de lutar viavelmente contra a campanha do “sim”.

Durante o filme, existe uma enfase nas palavras “sim” e “não” nos diálogos que dá um toque especial na história. Contando com um elenco talentoso, No procura mostrar personagens e situações realistas, retratando a triste realidade dos eventos históricos. Sem enfatizar demais os detalhes íntimos da política, o longa decide mostrar o outro lado, um lado que a mostra como um simples produto a ser vendido.

É interessante destacar também uma ideia da falha por trás dos modelos econômicos como o comunismo e o socialismos, que se apoiam na propaganda para se manterem, a propaganda sendo um vestígio característico do capitalismo. Esse aspecto do filme é sutil, mas funciona muito bem explorando o disfarce desses modelos que, na verdade, são implantados nas raízes do capitalismo, já que não se sustentam sem estes princípios. A ditadura, então, apenas sobrevive diante um discurso falso que somente não se adere ao capitalismo porque visam um governo totalitário onde a população não terá voz para simplesmente dizer “Não”.

Nossa nota é:

Gostaram do projeto Desafio Cinéfilo? Então continue acompanhando nossa colaboração com o blog Cinema Depois do Café e não perca as próximas indicações que serão analisadas por nossa equipe e por Vinicius Liessi. E não se esqueça, se quiser a análise de algum filme específico basta nos desafiar… Deixe seu desafio abaixo!

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