Conheça o sub-gênero Comédias de Terror
08 set

Conheça o sub-gênero Comédias de Terror

Coluna

Julia Giarola

O cinema, por mais que não pareça, é uma arte extremamente complexa que não se divide apenas em gêneros. Durante os anos, muitos artistas embarcaram em filmes experimentais, resultando em o que hoje conhecemos como cinema alternativo. Desta maneira, alguns pioneiros foram além dos gêneros cinematográficos, expandindo tanto o contexto das histórias, quanto a abrangência dos temas o que inevitavelmente criou uma enorme base de fãs para determinados sub-gêneros.

Comédia de terror é um gênero literário e cinematográfico que combina elementos de comédia e de terror. As comédias de terror são descritas como capazes mesclar elementos da comédia negra e da paródia, mas sem perder a credibilidade. Este sub-gênero quase inevitavelmente atravessa as barreiras da comédia negra englobando frequentemente sátiras sobre clichês de horror como sua principal fonte de humor.

Enquanto os filmes de comédia de terror oferecem uma visão “refrescante” para o público, eles também fornecem a permissão de rir dos medos alheios, algo que os filmes de terror convencionais não necessariamente incentivam. Durante os anos podemos averiguar o sucesso do sub-gênero sejam em filmes imediatamente aclamados, ou até mesmo naqueles que adquiriram sua base de fãs durante os anos. Tal sucesso legitimou o sub-gênero, o estabelecendo como comercialmente viável, algo que contribuiu ainda mais com o alastramento e aprimoramento dos filmes que seguem a categoria.

Para melhor ilustrar a situação, separamos 10 filmes que representam a evolução do sub-gênero, tal como são influenciados pela respectiva época e seus contemporâneos. Confira:

A Dança dos Vampiros
(1967)

Um professor universitário viaja para a Transilvânia acompanhado de seu ajudante atrapalhado, para livrar uma cidade assolada por vampiros. Quando uma bela donzela é raptada pelo Conde Von Krolock, a dupla invade seu castelo para salvá-la.

Este filme de Roman Polnaski representa tanto a angústia do final dos anos 60, quanto as próprias características do cineastra. Compartilhando um clima semelhante ao de O Bebê de Rosemary (1968), A Dança dos Vampiros exemplifica perfeitamente o sub-gênero, adicionando toques do humor pastelão da época.

O Jovem Frankenstein
(1974)

O Dr. Frankestein recebe de herança de seu avô um castelo na Transilvânia. Ele viaja até lá, e lê o livro deixado por seu antecessor sobre suas experiências em reanimar mortos. Apesar de cético, o médico decide colocar a teoria do avô em prática.

Seguindo a linha da comédia pastelão, este filme de Mel Brooks vai um pouco mais além, amenizando um pouco o clima angustiante deixado nos anos 60, e apoiando-se mais no humor dos atores e da própria história.

Gremlins
(1984)

Um vendedor de utensílios está à procura de um presente especial para seu filho e encontra um em uma loja em Chinatown. O lojista está relutante em vender-lhe o Mogwai, mas vende, sob a condição de que o objeto nunca pode ser exposto à luz, água ou alimentá-lo após a meia-noite. Tudo isso acontece e o resultado é um bando de gremlins que decidem destruir a cidade na véspera de Natal.

Um filme típico dos anos 80, Gremlins explora a década e o sub-gênero como nenhum outro. Em um clima de aventura, a história que possui uma premissa absurda de terror, anestesia essa com os elementos de comédia típicos da época, inevitavelmente se tronando um clássico.

Uma Noite Alucinante 2
(1987)

O único sobrevivente de um ataque de espíritos possuidores de carne chega em uma cabana com um grupo de estranhos enquanto os demônios continuam seu ataque.

Após o humor acidental do primeiro filme, Uma Noite Alucinante 2 decidiu embarcar nesse acidente, explorando agora todos os aspectos que retiraram gargalhadas do filme de 1981, o que com certeza foi um dos primeiros passos do sub-gênero em direção à sátira.

Os Fantasmas se Divertem
(1988)

Depois de morrerem em um acidente de carro, Bárbara e Adam Maitland se encontram presos, assombrando sua antiga casa. Quando uma nova família e sua filha adolescente, Lydia, mudam para a residência, o casal de fantasmas tenta, sem sucesso, assustar os novos moradores. Suas tentativas de assombração atraem um espírito espalhafatoso, cuja ajuda se torna perigosa tanto para o par de almas, quanto para a inocente Lydia.

Saindo dos anos 80, Tim Burton também identificou uma oportunidade de criar paródias sutis, porém em uma nova direção com outro clássico dos anos 80, que possivelmente tem uma das melhores cenas de possessão da história do cinema. (Assista a cena aqui).

Todo Mundo Quase Morto
(2004)

Um funcionário de vendas de uma loja de eletrônicos e seu melhor amigo precisam salvar seus amigos e suas famílias de zumbis que tomaram conta de Londres.

Após uma pequena ausência do sub-gênero nos anos 90, que explorava mais os melo-dramas e a ultra-violência, este voltou com tudo na década seguinte, conseguindo mesclar a essência da década passada em seus filmes. Um ótimo exemplo disso é o filme de Edgar Wright, que também apresenta a ultra-violência, assim como a sutil paródia de filmes de zumbi.

Zumbilândia
(2009)

A população foi infectada com um vírus que faz com que as pessoas se transformem em zumbis. Poucos são os humanos não infectados, entre eles Columbus, que deseja voltar para sua cidade natal na esperança de encontrar seus pais ainda vivos. No caminho, Columbus encontra Tallahassee, que está indo para a Flórida para aniquilar zumbis, e pega carona. Ao parar em uma mercearia, a dupla encontra Wichita e Little Rock, que aparenta ter sido mordida por um zumbi, o que divide o grupo sobre o que fazer.

Mais uma paródia dos filmes de zumbi, Zumbilândia agora cresce em uma época consciente do próprio sub-gênero o que acrescentou um tema meta ao filme. Um exemplo disso é a pequena participação de Bill Murray e as frequentes referências à outro clássico do sub-gênero: Os Caça-Fantasmas.

Bad Milo!
(2013)

Um homem com sérios problemas estomacais descobre que há um demônio vivendo em seu intestino. Quando ele lhe dá permissão para sair durante uma sessão de terapia, o homem o batiza de Milo e tenta viver uma vida em que ele, e não seu demônio interior, é quem manda.

Agora adquirindo um clima cada vez mais cult, os cineastas exploram cada vez mais o sub-gênero, o usando para criar tramas mais criativas (e absurdas) que só seriam possíveis de serem concretizadas nesse “novo” sub-gênero.

O Que Fazemos nas Sombras
(2014)

Este mockumentary segue um grupo de cineastas protegidos por crucifixos que entra com suas câmeras para registrar a intimidade de quatro vampiros que compartilham o lar em um subúrbio da Nova Zelândia. Enquanto eles lidam com os conflitos naturais da convivência, como quem lava os pratos ou o cuidado para não estragar os móveis com o sangue das vítimas, eles tentam se manter atualizados tanto com a vida moderna como com todo o século passado.

Explorando outro assunto popular da época, este filme de Taika Waitit explora dois “truques” muito utilizados na atualidade: vampiros e mockumentary. O humor do filme se apoia nesta concepção reciclada, mas de uma maneira inovadora.

Housebound
(2014)

Kylie Bucknell , após cometer uma infração, é condenada por um júri a cumprir uma pequena pena em regime de prisão domiciliar, uma sentença que a força a retornar à casa de sua infância, onde sua mãe, Miriam ainda mora. A convivência das duas, que não é das melhores, começa a ficar ainda mais complicada quando Miriam se convence que a casa é assombrada por espíritos.

Podemos ver agora o elemento paródia cada vez mais forte nos filmes, graças ao enorme excesso de filmes de terror semelhantes, estabelecendo então tramas e personagens específicos. Com isso a sátira fica cada vez mais óbvia e por isso mais divertida.

É claro que vários excelentes filmes foram deixados de fora desta lista. Porém, com estes exemplos podemos ver claramente o quanto o sub-gênero vem crescendo durante os anos e o quanto eles estão se desafiando cada vez mais!

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