A arte do Plot Twist
20 ago

A arte do Plot Twist

Coluna

Julia Giarola

Sem dúvida alguma boas reviravoltas em tramas de filmes conseguem marca a audiência de uma maneira que nenhum outro recurso consegue. Finais surpreendentes que nos deixam de boca aberta são um impacto não apenas para quem está assistindo o filme, mas também para as gerações por vim, fazendo do filme em questão um imediato clássico. Mas alguém já se perguntou por que isso acontece ou até mesmo como? Sim, reviravoltas imprevisíveis usualmente pegam o público de surpresa, mas por que será que os bons plot twist conseguem resignar tanto? Então é esta questão que vamos tentar dissecar hoje.


Como iremos falar sobre reviravoltas, obviamente teremos spoilers de alguns clássicos do cinema. Você foi avisado!

Primeiramente vamos discutir o que é exatamente um plot twist. Um plot twist (ou reviravolta no enredo) é uma mudança radical na direção esperada ou prevista da narrativa, neste caso de um filme. Esta prática é muito usada para manter o interesse do público na trama, para normalmente surpreendê-los com uma revelação surpresa. Muitos cineastas utilizam deste recurso manipulando as reações pré-definidas que a maioria das pessoas têm após assistir vários filmes clichês, permitindo que esta espera natural sirva de distração para um acontecimento inesperado.

Com isso em mente podemos, agora, analisar alguns dos melhores plots twists da história do cinema para verificar o que exatamente mexe tanto com nossas cabeças. Pegamos, então, por exemplo uma das reviravoltas mais famosas da indústria: Star Wars: O Império Contra-Ataca (1980). Todos conhecem (até mesmo os leigos) a famosa frase “Eu sou seu pai”, quando Darth Vader, o vilão da saga, revela ser o pai de nosso protagonista, Luke Skywalker. Esta revelação trás algo a mais à simples história do mocinho contra o mal. Sim, esta revelação vai muito além disso, adicionando uma nova camada de complexidade à história ao criar uma conexão entre o protagonista e antagonista, quebrando assim a barreira entre o bem e o mal.

Esta reviravolta funciona muito bem pois a história nos manipula ao apresentar uma luta bem familiar entre os dois extremos: bem e mal. Porém o plot twist nos mostram que não é bem assim e que o mundo não é dividido apenas entre o bem e o mal; o herói e o vilão. Ao invés disso demonstra a complexidade da própria realidade em que vivemos onde existe dentro de cada um de nós um pouco destes dois extremos, chocando nosso subconsciente ao nos aproximar do mal, enquanto esperamos estar tão ditante deste.

Podemos ver isso se repetindo através dos anos em filmes como Os Outros (2001), O Sexto Sentido (1999), Clube da Luta (1999), Os Suspeitos (1995), Planeta dos Macacos (1968), entre outros exemplos. Então quando analisamos as reviravoltas de cada um destes filmes podemos ver esta ocorrência onde a grande revelação que nos surpreende é a conexão entre o bem e o mal, enquanto estamos tão decididos em acreditar apenas na divisão entre preto e branco, onde os vilões são puramente malvados, e os heróis são puros e incorruptíveis. Isso mostra nossa natureza otimista abaixando nossa guarda para a realidade que deixamos lá fora da sala de cinema. Os plot twist, porém, usufruem desta vulnerabilidade para trazer o mundo real de volta para nossas mentes, nos surpreendendo quando acontecem. Os cineastras, então aproveitam a chance de nos mostrar histórias que vão além do preto e branco, eles nos mostram os vários tons de cinza presentes no mundo.

Podemos aprofundar isso ainda mais analisando as próprias frases que descrevem as reviravoltas, onde iremos identificar uma ocorrência que a revelação representa um significado interessante onde o bem é o mal ou o mal é o bem. Para isso iremos utilizar cores para melhor identificarmos este padrão (vermelho = mal e azul = bem):

  • Darth Vader é pai de Luke (Star Wars: : O Império Contra-Ataca)
  • O Planeta dos Macacos é o Planeta Terra (Planeta dos Macacos – 1968)
  • Narrador é Tyler Durden (Clube da Luta)
  • Protagonistas estão mortos (Os Outros)
  • Bruce Willis está morto (O Sexto Sentido)
  • Roger Verbal Kint é Kaiser Soze (Os Suspeitos)

Neste esquema podemos ver claramente a origem de nossa inquietação e então fascinação com os plot twist bem executados que além de nos surpreender no próprio contexto da história, também abalam e chocam nosso subconsciente com uma noção complexa de nossa realidade que ignoramos durante os filmes. Esta técnica pode ser utilizada na maioria dos plot twist bem sucedidos que irá mostrar a quebra desta barreira entre os dois extremos que estamos tão pré-destinados a acreditar, mas que na verdade reflete muito bem o próprio mundo em que vivemos!

O que acharam da matéria? Qual é o sua reviravolta favorita? Deixe seu comentário abaixo.

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