5 livros para ler durante o Novembro Negro
14 nov

5 livros para ler durante o Novembro Negro

Coluna

Victor Tadeu

Da mesma forma que Outubro é considerado o mês rosa para a conscientização do câncer de mama e Setembro o mês amarelo para a prevenção do suicídio, Novembro é considerado o mês negro. A data foi escolhida para a reflexão da inserção do negro na sociedade brasileira, consequentemente aproveitando o dia 20 de novembro para o dia da Consciência Negra.

Durante o Novembro Negro as pessoas que lutam pela igualdade ética racial aproveitam o tempo para apreciar melhor todas as artes desenvolvidas por negros, principalmente em território nacional. Além disso, também fazem homenagem ao Zumbi dos Palmares, um representante importante figura guerreira na história brasileira, sendo reconhecido como um dos pioneiros na resistência contra a escravidão.

Aproveitando toda a comemoração, hoje indicaremos a vocês livros escritos por negros e/ou contém assuntos relevantes sobre a luta do racismo, um preconceito bastante presente na sociedade brasileira. Infelizmente nem todos os títulos mencionados foram escritos por brasileiros, porém a grande maioria sim, inclusive alguns desses autores são bastante reconhecidos em território nacional.

Sem muitas delongas vamos conferir as indicações que temos para vocês, mas antes de tudo, gostaria de pedir vocês para indicarem uma obra para a gente, deixe nos comentários, vai ser um prazer puder conhecer suas experiências literárias.

Título: Quem Tem Medo do Feminismo Negro?
Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Ciências Sociais
Número de páginas: 152

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Sinopse: Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Muitos textos reagem a situações do cotidiano — o aumento da intolerância às religiões de matriz africana; os ataques a celebridades como Maju ou Serena Williams – a partir das quais Djamila destrincha conceitos como empoderamento feminino ou interseccionalidade. Ela também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, escrito por Djamila Ribeiro é um livro essencial para ser lido durante esse mês e qualquer outro. A autora nos apresenta assuntos interessantes sobre o movimento feminista negro, principalmente as lutas diária de um homem e exclusivamente uma mulher dentro de uma sociedade que muitas das vezes persiste ser racista. (Clique aqui para ler a resenha)

Título: Amoras
Escritor: Emicida
Editora: Companhia das Letrinhas
Gênero: Infantil
Número de páginas: 44
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Sinopse: Na música “Amoras”, Emicida canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. E é a partir desse rap que um dos artistas brasileiros mais influentes da atualidade cria seu primeiro livro infantil e mostra, através de seu texto e das ilustrações de Aldo Fabrini, a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos — desde criança e para sempre.

“Um livro que rega as crianças com o olhar cristalino de quem sonha plantar primaveras para colher o fruto doce da humanidade.”
Sérgio Vaz

Inspirado em um trecho de sua música, o rapper Emicida está iniciando dentro da literatura com sua primeira obra publicada, cujo título é Amoras. Em vídeo ele afirmou que seu intuito é passar mensagens positivas para crianças, na qual, a mesma possa crescer tendo em mente o quão é capaz como qualquer outra, onde os seus traços, personalidades e o físico não é um problema. (Clique aqui para ler a resenha)

Título: Úrsula
Autora: Maria Firmina dos Reis
Editora: Penguin Companhia
Gênero: Ficção
Número de páginas: 244
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Sinopse: Obra inaugural da literatura afro-brasileira, Úrsula é um dos primeiros romances de autoria feminina escritos no Brasil. Maria Firmina dos Reis, mulher negra nascida no Maranhão, constrói uma narrativa ultrarromântica para falar das mazelas sociais decorrentes da escravidão.

Tancredo e Úrsula são jovens, puros e altruístas. Com a vida marcada por perdas e decepções familiares, eles se apaixonam tão logo o destino os aproxima, mas se deparam com um empecilho para concretizar seu amor. Combinando esse enredo ultrarromântico com uma abordagem crítica à escravidão, Maria Firmina dos Reis compõe Úrsula, um dos primeiros romances brasileiros de autoria feminina, em 1859. Por dar voz e agência a personagens escravizados, é vista como a obra inaugural da literatura afro-brasileira. Retrata homens autoritários e cruéis, mostrando atos inimagináveis de mando patriarcal e senhorial em um sistema que não lhes impõe limites. Com rica introdução e contextualização histórica, esta edição de Úrsula celebra uma das autoras mais importantes da literatura nacional e conta com estabelecimento de texto e introdução de Maria Helena Pereira Toledo Machado e cronologia de Flávio Gomes.

Úrsula é o primeiro livro escrito por uma mulher no Brasil, além disso, a escritora dessa obra é negra e foi a pioneira em literatura afro-brasileira. Infelizmente Maria Firmina dos Reis teve que utilizar um pseudônimo quando publicou a obra, pois a época ainda era dominada pelo patriarcado. O livro é uma opção excelente de leitura desse mês comemorativo, principalmente por envolver a ebulição e a mazelas sociais que os escravos viviam.

Título: O Sol Também é uma Estrela
Autora: Nicola Yoon
Editora: Editora Arqueiro
Gênero: Ficção/Romance
Número de páginas: 288
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Sinopse: Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.

Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.

O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

O Sol Também é uma Estrela foi publicado em 2017 pela Editora Arqueiro e conta o romance vivido em 24 horas de uma menina negra e um coreano, ambos vivendo nos Estados Unidos. Porém, a menina estava prestes a ser deportada para Jamaica, pois descobriram que era imigrante no país e os dois estavam dispostos a fazer de tudo para que isso não acontecesse. Opção excelente para os leitores que gostam de romance. (Clique aqui para ler a resenha)

Título: Tempos Extremos
Autora: Míriam Leitão
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção
Número de páginas: 269
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Sinopse:Quantos mistérios uma antiga fazenda perdida entre as serras das Minas Gerais pode guardar? Mistérios que chegam de forma inesperada, revelando passados diversos a uma família dividida por conflitos afetivos e políticos e ali sitiada por causa das chuvas. É o que Larissa, jovem deslocada entre os seus, descobrirá, em uma estranha jornada na qual perseguirá sombras e segredos para encontrar desejos autênticos e entender os próprios sonhos.

No primeiro romance da consagrada jornalista Míriam Leitão, o leitor não encontra espaço para respirar. É uma história de paixões extremas, sobre tempos extremos, urdida com sutileza e convicção. Uma viagem às vezes em quase delírio pelos flagelos da escravidão, no século XIX, e os subterrâneos do regime militar, no século XX.

A narrativa se passa no século XXI, mas as linhas temporais são rompidas. Assim, as paredes centenárias da fazenda, o cemitério onde eram lançados os negros que chegavam ao cais do porto do Rio de Janeiro à beira da morte, após a travessia do Atlântico, e as celas das prisões arbitrárias promovidas pela ditadura dialogam entre si quase como personagens, na busca por verdades escondidas.

No entremeio, as relações tormentosas entre pais e filhos e entre irmãos tecem uma trama densa e ousada que revisita passados que o Brasil tem preferido deixar acobertados pelo silêncio.

Como ficcionista, Míriam Leitão mantém a mesma postura que marcou sua trajetória de jornalista: não faz perguntas fáceis. Nem abre caminhos para zonas de conforto.

Tempos extremos é a audaciosa estreia de Míriam Leitão como romancista.

Relato envolvente que mescla acontecimentos do presente, do século XIX e da ditadura militar.

Tempos Extremos é o primeiro livro voltado para o público juvenil da jornalista e escritora Míriam Leitão. Ele já foi vencedor de alguns prêmios e contém uma história incrível, abordando dois tempos muito extremos na sociedade brasileira; a escravidão e a ditadura militar. Essa é outra sugestão de leitura bastante excepcional para entender um pouco mais sobre essas épocas e compreender algumas dificuldades da contemporaneidade.

As indicações foram selecionadas diante da experiência literária do colunista.

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